terça-feira, 15 de janeiro de 2013

GENOCÍDIO NA UCRÂNIA EM 1941

Mais uma etapa do genocídio. Como matavam os encarcerados nas prisões de 1941.
Istorychna Pravda (Verdade Histórica), 06.09.2012
Volodymyr Honskyi

Pego a câmera e volto para fotografar montanhas de cadáveres. Às camaras já não tenho forças para voltar. Depois de uma semana minhas fotos apareceram nas "Notícias de Kharkiv", mas não todas. Algumas foram consideradas demais assustadoras".


Bilhões de crenças enterradas na terra preta,
Bilhões de venturas dissipadas ao pó...
... Se todos enganados recuperassem a visão,
Se todos assassinados revivessem...
Tremam, assassinos, pensem, lacaios!
A vida não rasteja no seu calcanhar.
Vocês ouvem? No cemitério das ilusões
Já não há lugar para sepulturas!
Volodymyr Semonenko, 1962

Por alguma razão, nenhum notável historiador ou político não lembra investigar e dizer-nos (acentuo - não apenas investigar, mas também tornar conhecido) sobre o papel e lugar dos ukrainianos na segunda guerra Mundial, que começou em setembro de 1939, com ataque da Alemanha à Polônia? E por que nós tão raramente e com indiferença lembramos esta data. Como se isto fosse lá com eles, a nós não dissesse respeito.

Quem dos comandantes ou soldados destacou-se na defesa heróica de Varsóvia? Quantos de nós sucumbiram então, durante a guerra germano-polaca? O percentual dos ukrainianos no então exército polonês não era menor que no exército soviético.

E por que os políticos que "unem" Ukraina de Uzhhorod a Luhansk não lembram até hoje que a guerra para Ukraina começou ainda mais cedo: 15 de março de 1939 o exército regular da Hungria com a bênção de Hitler invadiu os Cárpatos Ukrainianos (nome atual - Transcarpathia - Estado ucrainiano independente em 1939) e brutalmente destruíram o país - junto com milhares de patriotas ukrainianos - não somente os transcarpathianos.
Esta foi curta, sangrenta, mas verdadeiramente guerra patriotica. Lutaram voluntários da Halychyna e os "orientais" ukrainianos ( aqueles que conseguiram fugir do Holodomor e repressões), veteranos da UNR (República Popular Ukrainiana), etc.

Aquela guerra, financeiramente e com informação apoiaram todos os ukrainianos, e não somente exemplos epopéicos de valorosas ukrainianos, honra, heroismo, cavalheirismo! Dos quais hoje temos tanta falta para iluminar moral e psicologicamente os faróis, para imunizá-los da brutalidade russófila.

Exército dos Cárpatos Ukrainianos

Retornemos a junho de 1941. Sobre o heroísmo dos soldados soviéticos, abandonados à própria sorte por Stalin e seus medíocres e cruéis comandantes, já foi dito muito. Que a terra lhes seja leve... História conhece alguns exemplos de tão criminosa e indiferente atitude de líderes aos seus soldados. Mas a história não conhece atos satánicos, análogos aos quais eu quero chamar a sua atenção neste artigo. Nos primeiros dias da guerra, nas condições de retirada em massa e agonizante derrota, o regime bolchevique decidiu culminar ao máximo a destruição da elite ukrainiana ou simplesmente os mais ou menos "elementos" de consciência ukrainiana.

 

Corpos de torturados até a morte, estendidos para identificação no pátio da prisão N°1. Rua Lontskoho, Lviv. Junho de 1941.

Através de toda Ukraina expandiu-se onda de prisões e fuzilamentos de dezenas de milhares daqueles que não conseguiram destruir com o confisco de seus meios de subsistência, Holodomores e repressões.
Ao encontro dos escalões com soldados mobilizados do Exército Soviético, para o Oriente , à Sibéria e tundra (não ao front), íam dezenas de escalões superlotados de novos "inimigos da nação".

Como fuzilavam os presos em Lviv, no verão de 1941.

Os presos das cidades e cidadezinhas ocidentais da Ukraina Ocidental (e não apenas - por exemplo Vinnytsia) em geral resolveram pela "Categoria 1", isto é, matar. Através de telefonemas a todos os organismos punitivos regionais enviaram a ordem apropriada. Pena, que o limite dos artigos na internet não permite citar todos os testemunhos documentais dos executores e vítimas. Por isso citarei os dados mais notáveis, com abreviaturas.

Memorando: Sobre a evacuação de prisões das regiões ocidentais da Região de Lviv.
A evacuação iniciou-se no dia 22 de junho. Nas quatro prisões havia 5.424 presos. No primeiro dia da invasão dos alemães na URSS foram fuzilados 2,464 prisioneiroos. Todos foram enterrados nos subsolos das prisões, nos morros e no Jardim de Zolochev.

Região de Drohobych : nas duas prisões: Sambir e Stryi havia 2s242 aprisionados. (Da prisão de Peremyshel não temos dados). Durante a evacuação fuzilaram 1.101 prisioneiros. Ficaram expostos 80 cadáveres, a pedido do chefe da prisão ao NKVD para auxiliá-lo no enterro responderam com recusa. O vigilante Libman suicidou-se. Outro vigilante, Savkun desertou...

Região de Stanislau: De três prisões: Stanislau, Kolomeia e Pechenizhyn evacuaram 1.275 presos. Em Stanislau ficaram 647 prisioneiros, principalmente réus de crimes quotidianos. Os demais foram fuzilados.

Lutsk: na prisão foram fuzilados aproximadamente 2.000 presos e todos os seus objetos pessoais foram queimados.

Ostrog: prisão nº 3 - 77 presos foram fuzilados, cadáveres enterrados.

Berezhany: ficaram sem enterrar 48 cadáveres, 20 no subsolo da administração e 40 foram jogados no rio, sob a ponte.
 

Berezhany no verão de 1941.

Tais declarações de Satanás já encontraram-se muitas. Deve notar-se que os fuzilamentos ocorriam também depois desses relatórios. Os prisioneiros, aos quais os relatórios referem-se como abandonados na prisão, mais tarde também foram baleados. Nos últimos dias antes da fuga dos russos, devido a chegada dos alemães, as execuções realizavam-se já sem listas e, muitas vezes, diretamente nas câmaras. Obviamente, o verdadeiro número de mortos e o nome de todas as vítimas nunca será conhecido. Eles foram enxotados e conduzidos em duas colunas de pedestres, para o leste. Uma das colunas, de acordo com testemunhas, foi destruída próximo do Velho Sambor - os guardas jogaram os prisioneiros vivos dentro das minas de sal de Salina.

Foram estabelecidos apenas poucos nomes. Todas as listas, que não foram perdidas durante o récuo dos "vermelhos", durante anos permaneceram nos arquivos da KGB classificados como "absolutamente secreto".
Muitos anos de pesquisa em diversas fontes permitiram estabelecer o número geral de vítimas do terror nas prisões produzido durante a retirada dos bolcheviques da Ukraina Ocidental - mais de 22 mil pessoas, das quais cerca de 5 mil em Lviv, mais 3 mil - na região de Ternopil.
A Sociedade de Lviv "Busca" com base em várias fontes compilou a lista do martirológio nominal dos assassinados, que continua completando-se. Os resultados da pesquisa da "Busca" foram publicadas no livro "Tragédia da Ukraina Ocidental de 1941.

     
Exumação das vítimas da NKVD em 1941 no pátio da prisão N°2 em Lviv. Em 1991

Os acontecimentos daquela época revelam terror em massa sem precedentes na crueldade e cinismo, que teve ressonância global e foi claramente refletido na imprensa, tanto ocidental ukrainiano quanto a européia.

Após a retirada dos "vermelhos" os habitantes locais correram para as portas das prisões abandonadas. Quebravam as portas das câmaras, na esperança de libertar os detidos. Infelizmente, vivos eram raros.
Em todos os lugares encontravam-se recentes covas, subsolos murados, caldeirões com infelizes cozidos, e montanhas de cadáveres mutilados deixados nas prisões. A destruição dos prisioneiros era acompanhada por indescritíveis tórturas. Isso foi relatado por testemunhas oculares.
Mas previno os leitores especialmente vulneráveis: detalhes destas evidências não são apenas pouco estéticas, mas parecem pouco prováveis àqueles, que leem ou ouvem falar sobre eles pela primeira vez. Talvez, também ao autor. Se ele mesmo não tivessee ouvido de muitas testemunhas, de cuja veracidade não podia duvidar. Eis alguns testemunhos que foram recolhidos pela Sociedade "Busca".

Talvez, pelo menos este choque, estes horrores além dos limites finalmente sacudam a indiferente consciência sovietizada dos escravos mentais da pós-genocida sociedade ukrainiana?

Testemunho de Ivan Chapl

Camponês da aldeia Nahuyevych - Drohobych - Lviv.

Em 1939 nós recebemos o Exército Vermelho com solenidade... Os russos começaram organizar as fazendas coletivas. As pessoas não queriam entrar, então eram espancadas, presas nos porões. Eu trabalhava como ferreiro, não esperava problemas. No dia 22 de junho veio um grupo da NKVD do centro regional. Imediatamente pegaram o ex-diretor da escola rural (já aposentado), o presidente da Sociedade Escolar, o secretário do Conselho da Aldeia, o diretor da escola, e eu. Fomos levados a Pidbuzh onde já estavam aprisionadas outras pessoas: diretor da escola lojista, sapateiro e moradores das aldeias vizinhas.
No dia 26 de junho, às 10h da noite nós puseram num caminhão em direção a Drohobych. Éramos 20 e estávamos sendo acompanhados pelo procurador e 14 milicianos.

Investigação do sepultamento em massa na cidade de Volodymyr - Volyn. Em 1997

Em dado momento o carro parou e recebemos ordem para descer porque a máquina carregada não poderia subir o morro. Devíamos formar duas filas de mãos dadas. A um sinal do procurados todos os milicianos dispararam. Os carrascos abatiam ainda vivos chutando com botas, pás, pés-de-cabra dos quais o crânio rachava. Assim foram assassinados 16 pessoas. Graças ao tiroteio indiscriminado, escuridão e da própria milícia, que se apressava para trazer o próximo lote de aprisionados, nós quatro conseguimos sobreviver.
Não sei como o procurador ficou sabendo, mas no dia seguinte ele veio me procurar. Mas, eu ferido, fui bem escondido pelos parentes. Com certeza, os carrascos ficaram preocupados em deixar uma testemunha viva, mas não conseguiram esconder seu crime.

Quando os bolcheviques fugiram com a aproximação dos alemães, as pessoas foram buscar os assassinados. K. Kaminskyi tinha o corpo todo cortado. S. Dum'iak tinha a barriga toda cortada. A Ivan Dobrianskyi abriram o peito, retiraram o coração e a cavidade encheram com capim. E tais tiranos eram os nossos "libertadores". Por que eles matavam civis inocentes? No entanto, ninguém pode destruir a palavra viva e o espírito da nação que ama a liberdade.

Testemunho de Ivan Kindrat
Nasceu em 1923, doutor em medicina, Rochester, EUA.
"Em junho de 1941 eu morava numa habitação coletiva estudantil na Skarbivska, 10, em Lviv. No dia 29 aproximavam-se os exércitos da Wehrmacht, a cidade estava em pânico e caos. Permaneciam na cidade tropas de designação particular da NKVD.
Um amigo, que morava em frente da prisão "Lontskoho", contou que na noite de 28 de junho ouviu tiros e gritos enlouquecidos. Nós, quatro estudantes, saímos para um reconhecimento. Cimentado agora, mas fechado então, o portão explodimos com algumas granadas.

Ao entrar vimos 8 pessoas, homens e mulheres, mortas, perto da parede - ainda duas mulheres ainda vivas, mas ensanguentadas e desmaiadas. Depois descobrimos que não eram prisioneiros e sim funcionários , que foram destruídos por último para não haver testemunhas do crime sangrento. As duas mulheres faleceram. Todos os dez foram mortos com perfurações de baionetas. Alguns com vários ferimentos no peito e barriga.

Pecado do comunismo. Todos nós devemos nos arrepender, como fizeram os alemães.

Do quintal entramos numa sala grande, com cadáveres até o teto. Os que ficavam embaixo ainda estavam quentes. Suas idades - de 15 a sessenta anos, mas a maioria de 20 a 35 anos. Estavam deitados em várias poses, com olhos abertos e máscaras de horror no rosto. Havia várias mulheres.

Na parede esquerda estavam crucificados três homens, mal cobertos com roupas a partir dos ombros, com o seu membro genital cortado. Sob eles no chão, meio sentadas e inclinadas - duas freiras, com aqueles membros na boca.

As reveladas por nós, vítimas do sadismo da NKVD foram mortas com tiros na boca ou no pescoço. Mas a maioria foi apunhalada com baioneta na barriga. Uns estavam nus, ou quase nus, outros em roupa decente de rua. Um usava gravata, provavelmente acabou de ser preso.

 
  
 Investigação da sepultura em massa próximo de Ivano-Frankivsk. Demyaniv Laz. 1989. (Demyaniv Laz - Laz de Damyan.

Nota: Laz é um carreiro estreito na mata usado pelos animais; escotilha, abertura, acesso).

Do alojamento central, inundado com poças de sangue, saem dois corredores. Eu segui pela direita, na esperança de encontrar pessoas vivas. Primeira câmara: do gancho na parede pendia enforcado com barbante um homem vestido com calça militar e botas. Sua altura era acima do gancho. Na parede ao lado estava rabiscado "Que viva Rússia livre". vítima - major da aviação soviética.
A uma dessas câmaras foi difícil entrar. Do outro lado da porta - vários corpos com rosto encostado numa fenda da porta. Acabavam de queimar os restos de gás venenoso - cheiro de ovos podres

Na próxima câmara - duas muito jovens e lindas até pós a morte mulheres, enforcadas, com cordas no pescoço. Ao lado dois bebês com crânios estraçalhados. Perto da porta - manchas frescas do cérebro derramado.

Mais uma manifestação selvagem - dedos cortados, retiradas tiras de pele nas costas. Iniciavam enrolando o começo dessas tiras num pedaço de madeira e diariamente prosseguiam. Quando terminavam uma tira - começavam outra. Cuidadosamente cortavam com bisturi, esterelizando os lugares anteriores, para que o torturado não morresse prematuramente.

Demyaniv Laz. Genocídio da Halychyna(1)


[...] Entro numa dependência maior, com mesa no meio. Na mesa está amarrado um homem nu com o rosto incrivelmente retorcido. O corpo é coberto por uma redoma de vidro. Na barriga - feridas com estranhos buracos. De repente, do buraco rastejam para fora, um atrás do outro, vários ratos. Este - um de vários métodos de tórtura da NKVD. Sob a redoma, ao prisioneiro vivo, colocam ratos famintos.

Acabou. As forças me abandonaram. Parece que perdi, nesta hora, 12 anos de vida. Meio inconsciente do horror, corri para fora da prisão. Nenhum de nós se deparou com vivos.
Numa loja semi destruída pego uma câmera e volto para fotografar a montanha de cadáveres, padre crucificado e freira na sala principal.. Às câmaras não tenho mais forças para voltar. Dentro de uma semana minhas fotos apareceram em "Novidades de Krakiv", mas nem todas, algumas foram censuradas. Crimes tão selvagens não ariscaram publicar. Posteriormente, em 1943 eu enterrei estas fotos na horta próximo de casa". (Com a volta do domínio russo seria perigoso conservá-las - OK).

Memórias de Mikhailo Mirus
Nascido em 1929, morador de Chotkov, Ternopil.
"Ouvindo que os alemães que entraram na cidade, abriram a cadeia, eu, como outros moradores de Chortkov, fui lá. O visto impregnou-se em minha memória com uma imagem terrível para toda vida. Ao comprido dos muros estendiam-se os gramados com canteiros de novas flores. O espaçoso terreiro estava vazio. [...] Marido e mulher, ambos mortos, encostados na parede e escorados com estacas para não cair. Ele, com o órgão sexual amarrado com arame farpado, ela, com um feixe do tal arame dentro do órgão sexual. [...]
 

           Demyaniv Laz. Carcaças sobre a roupa dos torturados.

Em todo o espaço da primeira dependência foi escavado um buraco, cheio de cadáveres. Em cima deles foi pulverizada uma fina camada de terra. É evidente que o trabalho não tinha terminado. Em cima ainda havia dois cadáveres, provavelmente os executores desse trabalho. Ali estavam também as pás.
O rosto do homem estava como queimado ou escaldado, enegrecido. No meio encontrava-se um tanque de metal, a partir do qual partiam tubos da grossura de um braço. Daqueles tubos avançava um vapor que corroía a carne. Sob os olhos, dos sufocados pelo vapor - saquinhos. Orelhas já não havia, cairam, os narizes também.

Memórias de Yulian Pavliv
Nascido na aldeia Narayev, Ternopil. Em 1930.
"Na primavera de 1941 na aldeia Narayev, como em outros locais, eram aprisionados os representantes de inteligência local, inclusive minhha tia Ivanna, professora da aldeia. Em junho de 1941 saiu a sentença. Dos 19 aprisionados 3 receberam a pena de morte. Os aprisionados estavam detidos em Berezhany. Com o início da guerra a aldeia esperava a volta dos prisioneiros. Ao invés disso vieram notícias de pavorosas torturas. No início de julho os parentes partiram em busca dos entes queridos e, por segurança levaram os adolescentes de 10 - 12 anos. Lá nos encontramos montes de cadáveres danificados nos subsolos.

Nos Carpatos encontraram vítimas da NKVD enterradas

Regadas com sangue câmaras e corredores. O rastro de sangue conduzia ao pátio. Lá já estavam deitados em filas os corpos sem orelhas e narizes e rostos enegrecidos. O calor de julho já provocava um terrível mau cheiro. Ecoavam choros, gritos de desespero, blasfêmias.
Tia Ivanna nós encontramos na margem do rio Zolota Lypa (Tília de Ouro) próximo do castelo, que NKVD usava como câmara de tórturas. Ao lado havia ainda dois homens, alguém cobriu seus corpos nus e desfigurados. O corpo da tia Ivanna, dos pés aos ombros, estava coberto de profundas aranhaduras. Rosto enegrecido. Removido o trapo da boca - língua arrancada.
De lado a lado feridas de faca, barriga cortada de baixo até o peito, garrafa enfiada no órgão sexual. Mais duas moças de Narayev foram barbarizadas deste modo. Outros corpos não tinham menos sinais de torturas: olhos retirados, órgãos sexuais cortados, dedos cortados, cabeças esmagadas.

Os habitantes locais nos contaram, que durante a semana ao redor da prisão atroaram os motores dos tratores, o que não conseguiu afogar completamente os gritos de torturados. Procuravam os seus familiares principalmente pela roupa. Longa foi a pesca dos corpos no rio Zolota Lypa, onde foram lançados pela NKVD. Por vários quilômetros flutuavam na água colorida com sangue e até a represa na aldeia Saranchyky, onde os desfigurados e assustadores cadáveres eram pegos e enterrados pelos aldeões. Os não reconhecidos enterravam em valas comuns. Muitos assassinados foram enterrados em aldeias próximas.

       
(carcaça de crânio): Escavações do Demyaniv Laz. Mordaça no crânio da vítima.

Os habitantes de Narayev encontraram e enterraram 12 torturados de sua aldeia. Corpoos de mais três condenados à morte foram encontrados no outono, num buraco, cobertos com pedra, próximo à floresta de Berezhany. Um deles, T. H. Pavliv tinha as pernas cortadas. Quatro não foram encontrados. 15 dos 19 assassinados da aldeia tinham menos de 23 anos.
Agora observem a seguinte evidência. Esta "história dos fuzilamentos" contém únicos quadros do momento e tecnologias do ato do crime do império-bolchevique. Tais amostras são únicas porque outras dezenas de milhões de indivíduos do Universo silenciaram para sempre.

Testemunho de Yaroslau Rozhyi
Aldeão de Romaniv. Peremyshyl. Lviv
Era junho de 1941. À câmara sempre traziam novos prisioneiros das aldeias de Biberechen. Junto ao portão sempre ficava um policial ukrainiano. Certo dia, à tardinha, ele nos disse: "Rapazes, aqueles diabos novamente foram a algum lugar!" E nós lhe dissemos: "Então abra o portão e solte-nos." Mas ele respondeu que as chaves a NKVD levou. "Levem os bancos e quebrem as grades". O advogado Kultchytskyi explicou-nos que isto poderia ser uma cilada, que nem os bolcheviques poderiam condenar sem decisão do Tribunal (o advogado, ingênuo e honesto, ainda não sabia como agia NKVD). Voltando, a NKVD começou levar um por um ao subsolo e fuzilar. Nós chegávamos até a porta e escutávamos. Korolyk chorou muito quando foi conduzido. Mas Mykola Duchii foi quem mais implorou: Camaradas, eu sou seu pobretão, tenho mulher e filho, por piedade, não me matem!" Aqueles apenas riam, e um deles disse: "Não é nada, é exatamente como arrancar um dente: dói - uma vez e acabou!" Depois ouvimos tiros no subsolo.

        
Demyaniv Laz. Crânios dos torturados, preparados para perícia.

"Depois de várias execuções, "troika" (trio) da NKVD ia para dyzhurku", provavelmente beber vodka, porque quando eles vieram a mim, deles exalava vodka. De minha morte eu tinha certeza, quando me chamaram. Dois me pegaram debaixo dos braços, o terceiro com revólver caminhava atrás. Levaram-me para subsolo. Já no limiar do porão escuro, os dois que me seguravam, largaram e o terceiro colocou a mão no meu ombro. Num segundo eu, de algum modo senti-o levantar o braço direito e, parecia, que ouvi o estalo do revólver. Eu,momentaneamente virei a cabeça. Houve um tiro!
E, como hoje lembro, que caí em cima de quentes corpos humanos. Quanto tempo fiquei inconsciente, eu não soube. Depois, na escuridão, de algum modo readquiri a consciência. Pensei estar em outro mundo porque lembrei que fui baleado.
A primjeira impressão foi a intensa dor nas pernas e braço. Doíam muito. Minha boca estava cheia de sangue quente, salgada. Sobre mim havia algo pesado. Este peso, vagarosamente consegui empurrar. Era o cadáver do advogado Kultshytskyi que nos convencia não fugir porque ele conhecia os códigos bolcheviques. Eu tinha furadas as duas bochechas e estava deitado numa pilha de cadáveres. Alguém nesta pilha ainda rouquejava [...]"

        
Demýaniv Laz. Tranças femininas com crânios, retirados de outro túmulo.

Infelizmente, muitos outros testemunhos e documentos precisarão ser retirados para além deste artigo. Mas no final eu compartilho com vocês a eterna saudade de muitos conterrâneos, que eles manifestaram outrora à minha mãe de Kharkiv.

Nos anos trinta a juventude da aldeia Holyn de Ivano-Frankivsk, como em toda Ukraina Ocidental delirava com liberdade. Era uma fé pessoal, sonho, fator de honra, sustentáculo da moral pessoal e da comunidade.

Os melhores foram para subterrâneos da OUN (Organização dos Nacionalistas Ukrainianos). Os mais moderados absorviam literatura e história ukrainiana, etc. Grande quantidade da juventude de Haluchyna tornou-se ativista da "Prosvita" (cultura, educação, civilização) - dedicada à representação de teatro ukrainiano, poesia, corais e ... futebol.

    
Demyaniv Laz. Perfuração quadrada no crânio. Apenas o Exército Vermelho possuía baionetas quadradas.

E ais que após a "libertação" de 1939, em um dia, somente num dia sumiram 14 jovens da aldeia Holyn. Alguém descobriu que eles foram levados pela NKVD. Mas, somente no início da guerra em 1941 os familiares puderam visitá-los na prisão de Ivano-Frankivsk (então Stanislavsk) - para encontrar seus corpos.

O sangue estava por toda parte. Exatamente como nos relatados testemunhos acima. Demoraram para encontrar os corpos queridos entre centenas de cadáveres. Eles foram encontrados numa das câmaras de tortura. Lembro-me bem da descrição do corpo do jovem que estava prestes para se casar com sua linda menina.

E, eis seu corpo crucificado, pregado na parede. E, na barriga aberta... estava a cabeça de sua amada...
Tudo!!! Introduza-se a terra e o céu ao rugido do meu sofrimento. Viver não apenas por nós mesmos - nós temos de viver também por eles. Este é Vasyl Semonenko. A ele, aliás, os carrascos do império permitiram viver apenas aos incompletos 29 anos. "Dolorosamente ele amava Ukraina".

(1) Halychyna é o nome da região das tês províncias: Lviv, Ivano-Frankivsk e Ternopil.

Neste artigo foi aproveitado o material do Centro de Pesquisa do Movimento de Libertação, Museu de Ocupação Soviética, "Memorial de Kyiv" em nome de V. Stus, sociedade "Busca"; aos quais o autor é imensamente grato pelo trabalho santo.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: AOliynik
 
 

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