segunda-feira, 16 de julho de 2012

ATAQUE CONTRA ADVOGADO DE TYMOSHENKO

Tentaram cegar o advogado da Tymoshenko
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 16.07.2012

Jogaram "zelenka" no rosto de Vlasenko, advogado da Yulia Tymoshenko, na entrada do hospital de Kharkiv, hoje, segunda-feira. "Zelenka" é uma tinta de cobre, verde, daí seu nome.

Segundo o próprio Vlasenko, uma jovem loira, mais ou menos de 22 a 25 anos, vestindo um short de jeans, salto alto, blusa ou camiseta branca, aproximou-se do advogado e perguntou seu nome. Ao ouvir a resposta imediatamente jogou no rosto de Vlassenko uma garrafa de plástico, cortada, com a tinta.

No dia 13, sexta-feira da semana passada, houve a primeira tentativa, porém Vlassenko percebeu e bateu com a mão no objeto, desviando-o, que atingiu um jornalista, sem maiores consequências. Infelizmente, Vlassenko hoje não percebeu o movimento da moça que foi muito rápido, e não conseguiu desviar-se. O fato ocorreu de muito pequena distância.

O preparado cega, o que não aconteceu devido ao uso do óculos.

Na opinião de Vlassenko isto está acontecendo por ordem do presidente Viktor Yanukovych.


Resumo e tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 15 de julho de 2012

CATÁSTROFE NA CRIMÉIA: POPULAÇÃO ACUSA PUTIN

Inundações em Kuban como testemunho de impotência das autoridades russas
Tyzhden (Semana), 11.07.2012
Dmytro Kalynchuk
Inundação em Kuban - julho 2012
Um ano após o acidente com o barco "Bulgaria" na região de Krasnodar, Federação Russa, na noite de 7 de julho, houve uma inundação, que, mesmo com os dados preliminares, causou perdas de 4 bilhões de rublos ( 1 (um) USD = 32,704 RUB). E, como resultado sofreram 35 mil pessoas.

Avisos de catástrofes naturais e tecnológicas na Rússia tornaram-se quase regra. Nas cidades Novorossiysk, Gelendzhik e Criméia a inundação levou 172 vidas até 10 de julho. Ela, mais uma vez demonstrou total incapacidade da liderança russa para organizar proteção à vida de seus cidadãos em termos mesmo de desastres naturais.

Tsunami em Kuban
A inundação de Kuban criou muitos rumores entre a população: que o dilúvio ocorreu porque reduziram a água do reservatório no alto das montanhas para salvar da inundação Novorossiysk. No entanto, ambientalistas sustentam que isso seria impossível porque entre as cidades há uma cadeia de montanhas. E, para descida da água do reservatório deveria haver um sistema de eclusas que lá não existe. Finalmente os ambientalistas já verificaram que o reservatório não sofreu danos.

Foram, aproximadamente 300mm diários de precipitação. O fluxo da água em Novorossiysk e Gelendznik passou pelas ruas, mas na Criméia todo o fluxo foi para três rios, afluentes do rio Adahum, que flui através do centro da cidade. De acordo com as leis da física, a água não poderia seguir nenhum outro caminho. O reservatório Neberdzhayesk neste processo nada determinou, pois havia água suficiente e sem ele.

A água da chuva transformou-se em onda de 5-7 metros, a qual, realmente cobriu a Criméia que dormia. As inundações, nestes países - fenômeno comum. Dez anos atrás a Criméia sofreu inundações significativas, e em outubro de 2010, mais de 20 povoados foram inundados na localidade de Tuape.

Socorro aos afogados - assunto dos afogados
As forças da natureza causaram enchente, no entanto a escala da destruição e perda de vidas é resultado de falta de profissionalismo do governo. Notificação e evacuação de cidadãos - responsabilidade direta da autoridade local que ela não cumpriu. Responderam a Putin que notificaram sobre o estado de emergência às 22h30min., mas até as duas da madrugada dá mais de três horas de quando a água já estava próxima, a maioria da população nada sabia, segundo o diretor de Segurança de construções de sistemas hidráulicos, russo, Viktor Volosukhin. As vítimas da tragédia confirmaram que não houve aviso nenhum. Muitos acordaram com a água na cama. No entanto seria suficiente que os carros da polícia passassem pelas ruas com sirenes ligadas, e o Serviço de Patrulhamento das Estradas possui alto-falantes nos veículos.

As pessoas enganam-se apenas no seguinte. Sobre a catástrofe as autoridades sabiam, com antecedência não de três horas. O chefe de Emergências em Krasnodar Aleksandr Kozlikin confirmou que a autoridade municipal foi avisada sobre a possibilidade da inundação dois dias antes. E foram muitas as versões das autoridades para eximir-se da culpa...

Mas o que mais revoltou os moradores da Criméia foram as palavras de Putin, publicadas na "Novaya Gazeta" (Nova Gazeta): "... não é preciso exagerar o alcance da tragédia". Os moradores da cidade proferem palavras endereçadas a ele, que não se podem ouvir em nenhuma rua de Moscou.

E não mudou muito a atitude dos funcionários estatais após a tragédia. Segundo as vítimas, em que há casos que os funcionários do Ministério de Situações Extraordinárias recusam-se retirar as pessoas dos telhados ou ajudar a desmontar os entulhos amontoados, alegam não ter combustível. Enquanto os vitimados tentam organizar, dentro do possível, a situação, os soldados apenas observam.

Isto não perdoarão
Abandonados, a sós com elemento da natureza, podendo contar apenas consigo mesmos, as pessoas sofridas vivem em constante ansiedade. O fluxo de mentiras oficiais na TV os convence, claramente, que são indiferentes ao Estado. Em tais circunstâncias as pessoas de bom grado assumem quaisquer rumores e fofocas e são capazes de qualquer comportamento inesperado. Aos leigos é difícil entender que a água da chuva pode criar tsunami a muitos quilômetros do mar, por isso não acreditam num motivo natural da catástrofe. Eles acreditam que: "Nos afogaram deliberadamente ", porque salvaram Novorossiysk.

Como resultado de total desalento acontecem surtos generalizados de pânico. Na noite de 9 de julho, de repente, espalhou-se um boato de que vem à cidade uma segunda onda. As pessoas, em massa, começaram a correr para as montanhas. O desespero das pessoas é acrescido com as ações dos governantes. Tornaram-se frequentes as constatações de que a morte foi ocasionada por insuficiência cardíaca, e não devido a inundação, para não pagar indenização aos familiares. Ou exigem moeda de troca: para receber a ajuda comunitária as pessoas devem declarar que foram alertadas sobre a catástrofe. Claro, isso não melhora o humor dos que sofreram a tragédia. Enquanto isso a informação oficial na TV... é que todo o país ajuda. Esse otimismo não corresponde ao humor desnorteado e pânico que envolve a cidade. E pânico transforma-se em raiva.

A perspectiva de rebelião de milhares de pessoas, que já não tem nada a perder, seriamente assusta o poder. À Criméia transferiram forças policiais adicionais, que em nada ajudam no desmonte de bloqueios, somente patrulham as ruas. Ao mesmo tempo a polícia da Criméia convocou os cidadãos para entregar as armas de caça, "para evitar acidentes infelizes".

Desamparo vertical

A indiferença ao sofrimento das milhares de pessoas provavelmente tem alguns motivos. Primeiro deles - a inundação ocorreu na Região onde a Rússia pretende, em breve, receber a Olimpíada. Obviamente, um duro golpe para a imagem da Federação Russa. Então as autoridades tentaram esconder a dimensão da tragédia, para que o mundo não soubesse o verdeiro nível de segurança nos países do Mar Negro, bem como a efetividade e o informativo sobre a realização de operações de resgate. [Como sempre os comunistas vivem de mentiras. Dissimulações e tramóias que se sucedem indefinidamente, pelo menos desde 1917. Trata-se de um mal congênito e psicopático de todo comunista, sem exceção. AO]

A segunda razão é a indiferença do poder - corporação interna ligada a pessoa do governador Tkachov. A maioria dos especialistas concorda que o governador do Território de Krasnodar não sofrerá nenhuma consequência - ele, simplesmente, continuará no cargo. Não é a primeira vez que ele precisa justificar-se pelos cadáveres. Em 2007, no distrito Kamyshevatskyi houve incêndio na casa dos idosos. Morreram 63 pessoas. Em 2010 a tragédia atingiu Kushchovskyi onde realmente os bandidos reinavam, e brutalmente assassinaram uma família com filhos menores. Todos estes acontecimentos não trouxeram nenhuma consequência ao governador.

Por quê? Talvez porque é justamente este governador que supervisiona a construção das instalações olímpicas em Sochi, e junto está todo o fluxo de caixa e o recebimento dos frutos particulares da terra, para a construção de hóteis necessários às empresas. Exatamente em Krasnodar, próximo a Gelendhik está acontecendo uma construção de desconhecida propriedade, que os jornalistas russos persistentemente chamam "dacha de Putin" (casa de campo de Putin).

A história da Criméia novamente mostrou toda a fragilidade, corrupção e insegurança da verticalidade do governo Putin, da qual resultam milhares de inocentes vítimas de desastres naturais. Mas os fãs ukrainianos de Putin não percebem [ou fingem não perceber AO] tudo isso, porque recebem informações sobre a Rússia, principalmente, da mídia russa, às quais na submersa Criméia ninguém acredita.

Resumo e tradução: Oksana Kowaltschuk
Imagens: Tyzhden (Semana)
Foto formatação: AOliynik

terça-feira, 10 de julho de 2012

JUVENTUDE COMEMORA NASCIMENTO DE JOÃO BATISTA

7 de julho - Festejos "Ivana Kupula".
Pesquisa Internet e Den (Dia), 06.07.2012

O mais colorido e interessante festejo com o qual termina o ciclo de festas do calendário de verão da era pré-cristã é o festival da juventude - "Ivana Kupula", que com o tempo e com a aceitação do cristianismo, e em certa medida transformou-se em festa religiosa.

Comemora-se o nascimento de João Batista (João é Ivan em ukrainiano) que a igreja comemora em 7 de julho, ou 20-22 de junho pelo calendário antigo. O nome "Ivana Kupula" foi adotado na era cristã.

A memória nacional preservou ritos e canções, que pertencem aos tempos remotos e primitivos. São rituais em honra do doador da vida - Sol. Naturalmente muita coisa se perdeu ao longo do século passado, quando houve uma luta franca contra as tradições e costumes populares sob o regime da União Soviética.

Nossos ancestrais comemoravam "Ivana Kupula" em 20-22 de junho, no solstício de verão. Exatamente quando o sol chegava ao zênite e enviava o máximo de luz e calor, revelando o seu maior poder milagroso para a vida vegetal, animal e para os seres humanos. Toda vegetação atingia o seu pico, rapidamente crescia, florescia, multiplicava-se e alegrava-se com a vida.

Os principais personagens do festejo - Kupala e Maryna, que personificavam o masculino (Sol) e o feminino (água). Estas duas pessoas eram escolhidas entre os rapazes e moças, ou representadas por bonecos. A combinação de elementos masculino e feminino cria vida, que no festejo é representada por um ramo de salgueiro.

As festividades começam com uma fogueira que simboliza o sol - embrião no útero materno. A fogueira deve arder toda a última noite de verão. Ela será acesa por 4 homens que, com tochas formam um quadrado - 4 estações, ao redor dos galhos secos. Eles convergem para os galhos e acendem a fogueira, simbolizando o "plexo solar".

Desde a tarde as moças preparam as grinaldas de flores que a noite atiram na água corrente. Os rapazes devem buscá-las. A grinalda é símbolo de felicidade e união. Quando o rapaz volta com a grinalda, sua proprietária deve beijá-lo e permanecer com ele até o final da festa. É tudo combinado com antecedência. O rapaz combina com a namorada algumas características da grinalda para não haver erro.

Acontecem diversas brincadeiras. Os rapazes pulam a fogueira para mostrar sua destreza. Depois, quando o fogo diminui, pula o par. Pulam três vezes, porque o fogo purifica. Há diversas crenças populares: se o rapaz pulou bem alto, sua família terá uma boa colheita, se pular na chama - haverá problemas. Se o par pula com sucesso, eles certamente se casarão e viverão em paz toda a vida. Por isso o rapaz não pode se enganar com a grinalda, porque não pode pular a fogueira com outra moça, apenas com sua namorada.

Todas as atividades: desde a colheita de flores para confecção das grinaldas, a procura de galhos secos para o preparo da fogueira, a procura na mata da rara flor da samambaia, porque esta é a flor da sorte, são acompanhadas de brincadeiras e cantos específicos.

Resumo e tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik









segunda-feira, 9 de julho de 2012

TRIBUNAL EUROPEU CENSURA "JUSTIÇA" UCRANIANA

Leitores:
Esta reportagem é um pequeno exemplo como as coisas funcionam nos países comunistas ou sob influência do comunismo. Tramóias, falsidades, mentiras são práticas tão comuns como tomar um cafézinho alí na esquina.
O Cossaco.


"O Tribunal analisou todas as violações do direito de Lutsenko desde a sua detenção, e concluiu que o principal motivo para sua prisão era o desejo de excluir o ex-ministro da vida pública. Isso é bem claro no texto. Para ser honesta, eu mesma não esperava tal clareza na definição".


O veredicto europeu à "justiça torta" ukrainiana
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 04.07.2012
Inna Pukish-Iunko

A decisão do Tribunal de Strasburgo não abriu a porta da câmara de Yuri Lutsenko (foto). Mas provou a deformidade da justiça ukrainiana.
Após o veredicto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que reconheceu a ilegalidade da prisão de Yuri Lutsenko, e sem isso duvidosos argumentos do governo sobre a imparcialidade das autoridades policiais e do sistema judicial na Ukraina agora também a Ocidente democrático vão massacrar os ouvidos. Tão adiposa mancha na veste há muito não alva da justiça ukrainiana será difícil não perceber. Mesmo a tentativa dos juristas áulicos em apelar da sentença da justiça européia (para isso o governo tem três meses) não a limpará.

Do dia em que Lutsenko dirigiu-se ao Tribunal de Estrasburgo passaram-se quase quatro meses e meio. Solicitações judiciais para verificação da justiça européia, com duração de alguns meses são raros, geralmente duram anos. O procedimento rápido trouxe confirmação do Tribunal europeu que à questão de Lutsenko atribuíram atenção especial, não apenas ao status do queixoso, mas, obviamente, a eloquência dos fatos que causam dúvidas nas garantias do governo sobre a ausência de repressão política na Ukraina. Outro argumento a favor do ex-ministro - realização de audiências públicas no Tribunal europeu. Isso é um evento raro, enfatizam os especialistas. "Tal conduta realiza-se quando a questão tem grande importância na prática dos tribunais, diz o ex-candidato a Provedor de Justiça, co-presidente da Human Rights Group de Kharkiv Yevhen Zakharov. De mais de 800 questões em que aprovaram a decisão sobre o mérito da Ukraina, a única questão "Salov contra Ukraina" foi pública. Segundo Zakharov, o caso Salov é semelhantee à questão de Lutsenko, porque também houve perseguição criminal por questões políticas.

"Política" na acusação criminal do ex-ministro é confirmada no Tribunal europeu. "O Tribunal analisou todas as violações do direito de Lutsenko desde a sua detenção, e concluiu que o principal motivo para sua prisão era o desejo de excluir o ex-ministro da vida pública. Isso é bem claro no texto. Para ser honesta, eu mesma não esperava tal clareza na definição", - declarou a advogada Valentina Telychenko, representante de Yuri Lutsenko no Tribunal de Estrasburgo...

Enquanto nos gabinetes governamentais planejam recorrer ao Tribunal Europeu Pleno de Direitos Humanos - CEDH (das razões para a decisão do recurso quanto à iligalidade da prisão de Lutsenko declarou o encarregado do governo nas questões do Tribunal Europeu Nazar Kulchytskyi), os defensores do ex-ministro preparam cassação à sentença do "Pecherskyi" Tribunal (Tribunal ucrainiano que condenou Lutsenko). Dizem, o veredicto da justiça européia deveria, ao Supremo Tribunal Administrativo, ser argumento convincente para uma decisão em favor não de clientes políticos, mas aos princípios da justiça. "Esta é uma razão absoluta para cancelamento de decisões na questão de Lutsenko pelo Tribunal de Cassação", - declarou o advogado do ex-ministro Oleksiy Bahanets. - "Nós insistimos nisso". Se também o Supremo Tribunal Administrativo da Ukraina colocar sua assinatura sob a sentença de "lobo", pela qual condenaram Lutsenko a quatro anos de cativeiro, os defensores do ex-ministro prometem voltar a procurar a verdade no Tribunal Europeu.

O Tribunal Europeu também determinou a Ukraina o pagamento de 15 mil euros a Lutsenko como compensação moral.

Permanecendo ano e meio atrás das grades, Yuri Lutsenko conseguiu não uma decisão definitiva, mas uma importante vitória.


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Imagens: Vysokyi Zamok
Foto formatação: AOliynik

sábado, 7 de julho de 2012

DILEMA BIELORRUSSO: UM ALERTA PARA A UCRÂNIA !

Bielorrússia torna-se campo de treinamento de cenários políticos que Kremlin aplicará na Ukraina

A maioria dos presidentes de países que faziam parte da União Soviética, atribuíram a si, arbitrariamente, plenos poderes, que não foram previamente sancionados por nenhum processo democrático.

Thyzhden (Semana), 12 de março de 2012
Viktor Kaspruk

A particularidade do presidencialismo no espaço pós-soviético é que o processo eleitoral, na verdade, é frequentemente poucas vezes associado com a escolha e vontade política da nação. A ordinária comprovação disso tornaram-se "as eleições de Putin na Rússia". No entanto, dificilmente se pode falar que Putin, que apenas começa seu terceiro mandato, - é uma espécie de fenômeno único. Afinal, Nursultan Nazarbayev (Cazaquistão), começou a contagem de seus plenos poderes ainda em 1990, - e Aleksandr Lukashenka em 1994.

Diante disso a maioria dos presidentes de países que faziam parte da União Soviética, atribuíram a si, arbitrariamente, plenos poderes, que não foram previamente sancionados por nenhum processo democrático.

No entanto, parece que o ditador bielorrusso Aleksandr Lukashenka não conseguiu tirar proveito do enfraquecimento das relações com a Rússia que deu a ele a estadia de Vladimir Vladimirovich Putin no cargo de primeiro-ministro. Aleksandr Lukashenka quase por 18 anos explorou, com sucesso, a nostalgia de alguns bielorrussos pelo "passado brilhante" e aproveitou-se de seus complexos mentais de "homo sovieticus", incluindo o paternalismo, o igualitarismo, o princípio de "destacar-se", os temores do mercado, etc.

Infelizmente, milhões de bielorrussos demonstraram disposição, sem resistência, entregar liberdades e direitos (e mesmo não sentiram o seu gosto nos poucos anos de liberdade democrática da era de Stanislav Shushkevich) em troca da estabilidade de "caldo com batatas" do caldeirão burocrático. Hoje, quando na Bielorrússia esse caldo apresenta-se a cada mês mais ralo, o bielorrusso "homo soviéticus" está pronto para concordar com a perda da independência, embora apenas por um curto período, mas garantir para si esta porção.

Obviamente, com o retorno de Putin à presidência, a posição de Lukashenka se enfraquece. Ele terá que superar-se na retórica antiocidental de Putin, para ganhar notoriedade entre correspondente contingente na Bielorrússia e na Rússia. Este é o único trunfo de Aleksandr Lukashenka. Embora, hoje superar Putin na retórica antiocidental - é fazer da Bielorrússia uma Coréia do Norte, e a isto ao ditador bielorrusso faltará energia e habilidades.

Embora num certo sentido, Bielorrússia agora fará tentativas para livrar-se de sua "mutilação espiritual" mesmo sendo poucos os que percebem que a sociedade sem capacitação organizacional e reposição do deficit de avanço cívico rumo à Europa é quase impossível.
O ditador Aleksandr Lukashenka, da Bielorrussia,
em visita ao ditador Hugo Chávez
Lukashenka com sua longa presidência conduziu Bielorrússia à estagnação, como ocorreu no final do governo Leonid Brezhnev. O país se encontra numa situação histórica, completamente sem saída. Realmente, "Batska" (papai) hoje não tem nenhuma concepção real de perspectiva para desenvolvimento do país. Contudo, se não houvesse na Rússia petróleo, gás e recursos minerais de quase todo o conjunto da tabela periódica de Mendeleev - muito difícil dizer para onde Rússia se moveria em tempos de desenvolvimento do putinismo.

Se Rússia não tivesse nem petróleo, nem gás, a política econômica dos comunistas seria diferente, e talvez os próprios comunistas não conseguissem se manter no poder por tanto tempo. Foram os comunistas que fizeram da Rússia um país de matérias-primas, porque para mais não foram capazes. Portanto, hoje, Kremlin colhe apenas o eco do socialismo desenvolvido.

Lukashenka, como todos os ditadores acha que sem ele o país não sobrevive nem um dia. Mas todos eles terminam sua vida assassinados ou no exílio, e o país continua viver. O que acontecerá com Bielorrússia com o afastamento de Lukashenka? É bem provável que a sua ditadura vai acabar com tragédia de importância nacional, porque política e economia submetidas a uma só pessoa não é viável.

Fidedigno, que sentado novamente na cadeira presidencial, Putin, antes de tudo ocupar-se-á com questões do "batska". Deve-se considerar alguns possíveis cenários reais de afastamento do timoneiro bielorrusso do governo.

O primeiro deles pode ser sua destruição física. Se realmente chegar esse comando aos responsáveis russos pela aplicação da lei, é improvável que tão extraordinária tarefa estatal executar-se-á com auxílio de métodos que causem aberta insatisfação na Bielorrússia. Pelo contrário, atentado ao presidente da Bielorrússia não será considerado seriamente.

Neste caso, provavelmente o FSB ou GRU (Principal Direção de Inteligência) agirão advertidamente. Afinal, não importa o quão cauteloso e desconfiado ao seu círculo íntimo é "batska", mas não será difícil de encontrar neste círculo mais próximo aqueles que estão insatisfeitos com seu status econômico ou cargo funcional. Embora não revelem abertamente seu descontentamento. E aqui é muito importante a motivação do executor. Portanto, os serviços especiais russos, através de seus agentes na Bielorrússia podem facilmente encontrar o futuro executor desta delicada missão. O sucesso de tal operação depende de encontrar alguém que realmente esteja pronto para ousar tal passo e preparar-lhe o caminho para saída da Bielorrússia.

Aqui é completamente lógico aplicar os métodos desenvolvidos e maravilhosamente testados durante o reinado da casa de Médici em Florença, no século XV. No serviço de Lukashenka aparece uma pessoa, a qual, em algum tempo o ajudará a livrar-se do governo para sempre. É óbvio que "batska" que tanto anseia rejuvenecer-se, provavelmente usa inúmeros diferentes estimuladores e suplementos vitamínicos, entre os quais encontrar-se-ão aqueles que serão a favor de Kremlin.

Outro cenário radical é que depois da volta a presidência de Vladimir Putin, Moscou conseguirá desestabilizar a situaçãoo econômica e política na Bielorrússia. A Putin não se adequa o desleal à Rússia Lukashenka. Por muito tempo ele se mantém no poder, de modo qie todas as linhas de direção do país estão sob seu controle e pode gerenciar o país como lhe aprouver, e não como Kremlin decidir.

Os "sábios do Kremlin" sabem: se conseguirem afastar Lukashenka, considerando que a oposição é fraca, ela tem poucas possibilidades de assumir o governo. Portanto não se pode excluir que, após o "batska" o líder bielorrusso pode ser diferente, - e aqui, final. E, ao potencial ditador será conveniente o apoio do vizinho, não pela "amizade eslava", simplesmente por concessões específicas, que à Rússia Lukashenka não quer fazer.

O terceiro cenário pode ser a prisão do timoneiro, que será instigado por seu círculo íntimo. Então ele poderá ser julgado publicamente pelos desaparecimentos de antigos altos funcionários e pessoas, que não queriam aceitar a longa ditadura do "batska". Aqui são possíveis duas variantes. Ou a prisão executar-se-á pelo KGB bielorrusso ou exército, ou de Moscou virá bem treinada força especial, a tempo de ajudar a nação insurreta contra o ditador.

O paradoxo do governo de Lukashenka consiste no fato de que ele não pode se dar ao luxo de abandonar o poder enquanto vivo. Na verdade, neste caso ele terá que responder por todos os seus crimes. Por isso "batska" está pronto para lutar até o final e procurar aliados em qualquer lugar, só para evitar a responsabilidade por seus atos.

É possível que Lukashenka, numa bem desenvolvida intuição de sobrevivência política, tentará não permitir a implantação de cenários de Moscou. Então, é muito provável que logo começarão em Minsk mudanças de pessoal nos órgãos do poder, especialmente no amado KGB.

Qual dos cenários será implantado na Bielorrússia, agora é difícil dizer, e, provavelmente isso ainda não sabem em Moscou. Porquanto muitos fatores externos podem afetar uma decisão concreta. Hoje, para Ukraina é muito importante acompanhar o que Putin irá fazer com Bielorrússia. Já é possível dizer com segurança, que Bielorrússia é um campo de treinamento de cenários políticos e esses cenários bielorrussos trabalhados, Kremlin possivelmente aplicará na Ukraina.

Apesar de não ser fato que o regime de Putin tentará implementar na Ukraina o mesmo esquema, mas na verdade a lista de cenários para Bielorrússia é oportuna para Ukraina. Levando em conta que tanto Lukashenka como Yanukovych preocupam-se apenas com problemas técnicos, isto é: assegurar proteçãoo do próximo, médio e distante círculo com contra-informação e outras medidas, mas não se preocupam sistematicamente com esta questão. Especialmente não no senso de proteção do Yanukovych, mas no senso de proteção de interesses da Ukraina.

E este agora é um grande problema. Porque nos últimos meses Viktor Yanukovych "num espaço vazio" soube "quebrar os potes" com Europa. Assim, o isolamento, além de mais instigado pelo governo da Ukraina cresce, e quanto às relações amistosas com a Rússia apresentam-se problemas consideráveis. Sobre o que evidenciam aquelas mesmas guerras produtivas e de gás, que estão em andamento.

Então o "novo" e entusiasmado pela sua terceira cadência presidencial Vladimir Putin pode muito bem tentar disputar o mapa de "ondas revolucionárias" em seu favor. Isto é, instigar revoluções em Bielorrússia e Ukraina com a 5ª coluna de Kremlin e fingir, que nestes países, as revoluções nacionais já ocorreram. Naturalmente com a tomada do poder pelos capangas do FSB e GRU.

Que isso não é exatamente fantástica, testemunha um fato significativo. Em nosso já independente país de 1992, em alguns dias foram capturados os santuários nacionais: Kyivo-Pecherska e Pochaivska Lavras (Lavra é importante monastério ortodoxo, masculino, subordinado em sua atividade a mais alta cúpula da Igreja - OK) e milhares de igrejas ortodoxas em toda Ukraina. E, de fato, absorvida a Igreja Ortodoxa Ukrainiana como instituição. E o mais importante que as arrebatadas pelas já nomeadas forças, as quais conseguiram neutralizar ou até incluir para o seu lado o Serviço de Segurança ukrainiano.

Sobre o fato de que os acontecimentos poderão se desdobrar com este cenário, testemunham colateralmente também os acontecimentos em Moscou. Pois justamente antes da eleição presidencial e no dia de sua realização foram organizadas enormes multidões dos chamados simpatizantes de Putin, os quais literalmente em poucos minutos após os eventos desapareciam em ônibus, eram removidos. Isto não é típico para os verdadeiros eventos de massa, mas próprio às operações especiais.

Também diante dos políticos democráticos ukrainianos surgem urgentes e concretas tarefas. Talvez, simplesmente falta tempo para refletir sobre lindos slogans, e também quem será o Hetman (alusão ao chefe dos cossacos) da Ukraina. Começa o dia de ações decisivas, e justamente esse dia dará à luz uma nova plêiade de líderes políticos ukrainianos.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik
Imagens:

quinta-feira, 5 de julho de 2012

DEGRADAÇÃO NO PARLAMENTO UCRANIANO

Degradação e tramóia no parlamento ucraniano
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De acordo com a lei, ou não, aprovamos tudo o que queríamos.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 03.07.2012

No Parlamento ukrainiano novamente violaram os procedimentos legais.

O "speaker" Lytvyn (que é governista, mas por alguma razão não enfrenta a oposição neste quesito) sumiu. A sessão estava sob a direção do deputado Martyniuk que, de surpresa, fez a inclusão extraordinária, na ordem do dia, do projeto de lei que trata sobre os idiomas das minorias e que na verdade vai beneficiar o idioma russo em prejuízo dos ukrainianos, para aprovação em segunda leitura. Com 219 votos não houve aprovação. Martyniuk propôs a análise da questão à ordem do dia e se a questão deveria ser incluída na ordem do dia. Como é fácil de perceber, a explicação não se referia à aprovação do projeto mas apenas se ele deveria ser incluído na ordem do dia. 248 deputados votaram pela inclusão, e rapidamente foi anunciada a aprovação do projeto do idioma e encerrada a sessão. O projeto foi considerado aprovado na íntegra, sem discussão das mais de duas mil emendas, sem parecer da comissão. Tudo aconteceu em segundos. E, os governistas ainda se vangloriavam com o resultado.

Manifestando satisfação pela aprovação do projeto o deputado regional Chechetov disse: "Avalie a beleza do jogo. Nós os conduzimos como gatinhos. Eu não sei o que eles farão nas eleições." Vadym Kolesnichenko, um dos autores do projeto também externou sua satisfação com a votação. "Nós não demos possibilidade à imprensa espalhar este assunto com a pergunta se haverá ou não a aprovação desse projeto. Vocês queriam briga? Nós não permitimos". - disse ele.

"Mas nós temos o estenograma fotografado onde está claro que a terceira questão não foi colocada para aprovação do projeto de lei, mas apenas para sua inclusão na ordem do dia", - disse o deputado oposicionista Ivan Stoiko. (E vão mostrar esse estenograma para quem??? - OK).

Além disso, deputados e jornalistas perceberam que do site do Parlamento "sumiu" o resultado da primeira votação sobre a introdução do projeto de lei na ordem do dia, e que conseguiu apenas 219 votos.

Enquanto isso, de várias regiões ja começaram sair ônibus com pessoas que desejam participar de manifestações, a favor do idioma ukrainiano, em Kyiv (notícia no jornal do dia 04.07 aos 37 minutos). Infelizmente, também já chegou a informação que o DAI (Departamento Estatal de Inspeção de Transportes) está parando os ônibus. Já pararam os ônibus provenientes de Kharkiv, Vinnytsia e Lviv.

Em Kyiv, cinco deputados iniciaram greve de fome.

Dia 04.07.2012

Próximo a Ukrainskyi Dim" (Casa Ukrainiana) acontece confronto entre o deslocamento especial do "Berkut" e participantes da ação em defesa do idioma ukrainiano. Neste local deverá realizar-se uma conferência de imprensa do presidente Yanukovych. Então o "Berkut" está afastando os participantes da manifestação. O presidente teria que entrar pelos fundos, mas acabou desistindo da conferência. "Berkut usa gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Alguns manifestantes também usam gás lacrimogêneo contra "Berkut"

Ações populares de defesa do idioma ukraniano acontecem em Lviv, Ivano-Frankivsk, Poltava, Odessa, Kharkiv, Cherkas, Donetsk, Dnipropetrovsk.

 
Resumo e tradução: Oksana Kowaltschuk
Imagens: Ukrainska Pravda





Força policial para repreensão às manifestações de protesto contra a manipulação do Parlamento
População utiliza gás lacrimogêneo contra policiais

domingo, 1 de julho de 2012

ENTREVISTA: EDWARD CHOW FALA SOBRE O SETOR ENERGÉTICO UCRANIANO

Edward Chow: "No setor de energia o governo ucrainiano coloca-se na situação cada vez mais difícil."
Tyzhden (Semana), 31.05.2012
Zhanna Bezpiatchuk
Edward Chow
No setor de energia pátria constantemente ocorre algo extraordinário. Ou Viktor Yanukovych faz acordos com seu colega turcomano sobre cooperação no setor do gás, ou aos investidores estrangeiros que querem extrair gás de xisto em nosso país recomendam parceiros de pouco conhecida empresa. E sobre tudo isso paira a incerteza de acordos sobre o gás com a Rússia, nos quais Ukraina parece que já esgotou suas possibilidades de negociação.

"Se alguém quisesse criar um sistema energético ideal para corrupção, ele teria que ser, na aparência, igual ao que existe na Ukraina Hoje" - estas palavras pertencem a Edward Show, um dos mais respeitados especialistas internacionais de energia, que havia em seu tempo, consultado todos os quatro governos ukrainianos. Este ano ele participou das audiências recentes, dedicadas a Ukraina na Subcomissão dos Assuntos Europeus da Comissão dos Assuntos Externos do Senado dos EUA. O especialista americano partilhou sua visão com "Semana", sobre problemas energéticos ukrainianos.

Sombras de Kharkiv

Semana: Qual a mensagem nas audiências da subcomissão do Senado dos EUA você tentou transmitir aos colegas norte-americanos?

Chow - Fui convidado pela subcomissão do Senado. Eles queriam ouvir sobre a situação do setor energético da Ukraina, que é extremamente importante não só para seu país, mas para toda a região. Então eu propus a minha visão da situação. Todas as decisões dos problemas de energia estão nas mãos do seu governo. Isto é um fato. Estou falando não somente sobre o atual Conselho de Ministros, mas também sobre todos os anteriores. Estas decisões são bem conhecidas para seus chefes de governo. Elas foram exaustivamente discutidas por 20 anos com os europeus e americanos. O que está faltando? A vontade política de Kyiv e capacidade organizativa para reformar a política energética. Assim que Ukraina realmente decidir mudar o status quo, ela pode contar com o apoio do exterior. Se você ler o programa pré-eleitoral do presidente Yanukovych você vai encontrar tudo lá. Primeiro ele precisa normalizar as relações no setor de energia com a Rússia. E ele não fez isso. Em abril de 2010, o contrato de Kharkiv antes continuou as abordagens ruins utilizadas no passado, ao invés de pavimentar o caminho para a normalização e o estabelecimento de relações regulares com a Rússia no futuro. A energética estava ligada a questões políticas que não tem relação direta com elas. Como um especialista em energia, eu acredito que tal abordagem desestabiliza os acordos, ao invés de fortalecê-los. E, apesar da retórica de descontos sobre o gás, que supostamente vocês receberam, na verdade eles nunca existiram.

Semana: Você quer dizer, que o acordo de Kharkiv não era realmente um desconto, mas aproximação de preço para o mercado europeu?

Chow - O preço do gás, que Ukraina recebeu nos termos deste acordo, era padrão na Europa em abril de 2010. Portanto, não houve nenhum desconto real, se nós compararmos quanto em 2010 pagava Ukraina e, por exemplo, Alemanha. O problema técnico é que o preço acordado em janeiro de 2009 era muito alto, superior ao do mercado. E não tem significado que Tymoshenko afirmava que havia um desconto de 20% e Yanukovych de 30%. Objetivamente o valor era muito alto. Curiosamente, Yanukovych, durante sua campanha criticava o acordo de 2009, mas o acordo assinado por ele em Kharkiv estendeu o acordo de janeiro de 2009. Isso foi feitoo ao invés de iniciar um novo acordo, mais equilibrado e mais justo para ambos os lados, como ele prometeu. Ele, até hoje concorda com as obrigações contratuais para importar mais gás do que Ukraina precisa realmente. E por que o preço de janeiro de 2009 foi muito alto? Os russos diziam que era exatamente isso que pagavam os alemães e outros europeus. Mas a fórmula européia de preços prevê seis ou oito vezes menor o preço do gás do preço do petróleo. Deste modo o preço europeu para o gás em janeiro de 2009 acordava-se com os preços do petróleo no verão de 2008, quando o ouro negro atingia o seu pico. Em janeiro de 2009 o preço do petróleo baixou. Ele custava, então 30-40 dólares. Ao governo ukrainiano não havia nenhum sentido em concordar com valor tão elevado. Presumivelmente Yulia Tymoshenko pensava que deveria concordar ao menos com algo, e depois ela mudaria isto, quando fosse eleita presidente. Além disso, os russos nunca lhes deram garantia sobre o volume do gás que eles forneciam através do território ukrainiano durante 10 anos do acordo. Todas as obrigações foram impostas ao lado ukrainiano, e muito poucas delas assumiu a Federação Russa.

Forçados à estagnação

Semana: Você acha que o problema do gás pode ser resolvido aumentando a produção de gás doméstico pela Ukraina?

Chow - Os investidores devem entender, quais serão os preços do gás. Atualmente o mecanismo de preço no mercado é desfavorável para os produtores do gás doméstico. É por isso que a produção de seu próprio gás natural na Ukraina já está em estagnação por 20 anos. Para o gás produzido em seu país, é definido com antecedência condições de perda comparando com aquelas que se aplicam às importações. Isto é diametralmente oposto ao que faz a maioria dos países do mundo. Outros países discriminam o gás importado em favor do próprio. Então Ukraina, pelos preços de hoje deveria produzir muito mais gás. Tanto os geólogos ukrainianos como os estrangeiros me disseram que vocês poderiam produzir 50% mais do que produzem hoje. O preço do gás próprio na Ukraina está na faixa de US$40-50 por mil m³. Ao mesmo tempo, o gás importado custa $400. Seus investidores não tem incentivos para investir em produção nacional, desde que obtenham, por seu gás, preço abaixo do mercado.

Semana: Acredita-se que a inclusão do investimento estrangeiro ou nacional na produção de gás doméstico e um aumento paralelo no preço não vai resolver o problema. Há um limite para aumentar as taxas comunitárias (2 vezes por exemplo). E, como afirma o primeiro-vice-ministro Valeri Khoroshkhovskyi, até o aumento de tarifas não cobre seus custos. Além disso, o governo precisará subsidiar grande parte da população.

Chow - Eu considero que este argumento é falso. Hoje, sua economia subsidia o gás russo que é muito caro. Você não precisa taxar o seu próprio em UE$400. Você pode estabelecer o preço em US$100. Isto levará a um aumento na produção de seu gás natural. Apenas a sua produção vai para cima, e isto significa, que o valor sobe a $400. A mim, como especialista em energia, surpreende muito que os preços para o gás de produção doméstica regulam-se desta forma, que seus preços são muito mais baixos que o dos importados. Exatamente por isso a produção nacional entra em declínio e estagnação. Teoricamente este gás barato deve ser destinado à população, órgãos públicos. Mas, na realidade com ele se forma o mercado cinza. Esta é a rota e o motivo de corrupção maciça no setor do gás. Se você permite, que o próprio combustível no mercado doméstico custe $50, e, importa por US$400, muito rapidamentee aparecerão pessoas, que com uma simples mágica transformarão o gás doméstico em gás importado e o venderão para certas pessoas com "corretas" ligações políticas. E tem muitas pessoas que não querem que este sistema mude, porque assim eles fazem a sua fortuna. É claro, que reformar isso é difícil. Para definir preços de mercado para o gás doméstico e importado, vocês precisarão de três a cinco anos. Mas é necessário que Ukraina comece a se mover nessa direção. Governos de Tymoshenko e Yanukovych realizaram de uma só vez, aumentos astronômicos para satisfazer FMI. Mas eles não fizeram mais nada. E isso, aliás, não tem nada a ver com a presença ou ausência de investimentos estrangeiros.

Os russos virão, e os outros?

Semana: O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Europeu de Investimento não se apressam dar empréstimos ao "Naftogaz Ukraina". Eles esperam sua corporativização. Mas a tentativa anterior de fazer isso não deu certo. E o que pode acontecer se o monopólio estatal ficar sem recursos?

Chow - Eu nunca acreditei que BERD e BEI vão investir na FTS (Sistema de Transporte de Gás) da Ukraina. E a mim não interessa neste caso, quem está no poder: Yushchenko, Tymoshenko ou Yanukovych. Nenhum desses bancos de desenvolvimento aceita correr riscos. Desde o princípio, era conversa fiada por parte dos europeus, e por seus governos que os apoiavam. Enquanto Naftogaz e Ukrtransgaz nunca poderão satisfazer as condições que estas instituições impõem. Mesmo se forem corporativizados. Eles exigem garantias soberanas do governo ukrainiano. E o que vem depois? Agora, o seu país tem uma relação complexa com o FMI. O gabinete de Azarov, durante esses dois anos, se colocou na condição tal que ele é pouco capaz de solicitar e conseguir mais dinheiro. Então sobra alternativa de ir aos bancos russos e pedir fundos para pagar por seu gás. Os russos ficam felizes com o crescimento da dívida ukrainiana. Um dia eles virão cobrar a dívida. E Ukraina não terá nada para pagá-los. Moscou precisará apenas decidir que ativos ela vai querer da Ukraina em troca da dívida.. Este governo está cavando um profundo buraco debaixo de si. (Bom seria se fosse apenas debaixo dos governantes, o problema é que é debaixo da nação ukrainiana - OK). Particularmente no setor da energia. Soa como piada a intensão da Ukraina importar gás da Eslováquia, Romênia e Turquia. E o fato que mídias sérias dão isso como certo, indica um fraco entendimento do assunto. Isso não ajuda nem ao seu governo, nem, principalmente, ao país em geral. O terminal de gás liquefeito em Odessa e gás de xisto em tempo próximo, não resolverá o seu problema. Esses projetos, mesmo que sejam adotados para implementação, poderão entrar em funcionamento apenas em 5 - 10 anos. E, eu não falo apenas sobre o Partido das Regiões. O mesmo aconteceu também em 2005 e 2006, quando os responsáveis por tudo eram Yushchenko, Tymoshenko e Yekhanurov. E eu não entendo o que o governo ukrainiano quer. Ele se coloca em situação cada vez mais difícil.

Semana: O nosso governo decidiu que as empresas estrangeiras que desenvolverão jazidas de gás de xisto na Ukraina receberão parceiro de joint venture em que as partes são NAK "NADRA Ukraine" (Companhia Acionária Nacional "NADRA Ukraine") e pouco conhecida Companhia com responsabilidade limitada "IBS-Heoservis". O quanto é aceitável esta abordagem internacionalmente?"

Chow - Vamos começar com o básico. Cada país pode decidir que um investidor estrangeiro será parceiro de empresa nacional, como, por exemplo Naftogaz. O país concede ao investidor, e isto é prática normal, quando ela participa desse processo, licença para exploração de fósseis, que lhe pertencem. Mas quando anexa ao investidor uma empresa específica local - então não é típico. Quando nós falamos em parceria com empresa estatal, nós sabemos que a sua função é dar permissão. Empresa estrangeira entende isso. O investidor fornecerá tecnologias, capital, recursos gerenciais. E o que fornecerá a empresa local? Ela domina tecnologias? Se o projeto custar, vamos dar um exemplo, US$100 milhões, a empresa local vai fazer a mesma oferta que o investidor estrangeiro? Ou talvez apenas investirá US$10 milhões em dinheiro? Ou se juntará ao projeto de alguma outra forma, realizando funções com as quais o investidor não consegue lidar? Tudo isso procurará o investidor. Está tudo muito "amarrado". Ele (o investidor) não sabe, quem são aquelas pessoas. Em seu país ele poderá ser acusado de envolvimento em esquema de corrupção.

Semana: Ukraina pode obter algum benefício com a promoção de cooperação com o Turcomenistão da idéia do gasoduto Transcaspiano, que poderia ser conectado com algum gasoduto europeu?

Chow - Resposta curta - não. O objetivo de quem fala hoje sobre a construção de novos dutos, particularmentee os europeus com o seu Nabuco e outros gasodutos, - para contornar Ukraina e não incluí-la em seus itinerários. Portanto, na minha opinião, antes de tudo isto é teatro político. No caminho do gasoduto Transcaspiano que uniria Turcomenistão e Azerbaijão, há muitos obstáculos. Vantagem da Ukraina - sua localizaçãoo geográfica. Mesmo que esses projetos sejam implementados, seria no futuro, não hoje. O governo deve dedicar atenção aos assuntos sob seu controle e não se preocupar com o que pode acontecer, ou não, daqui a 10 anos. Eu posso compreender o interesse dos ukrainianos na participação em projetos de construção relacionados ao mencionado gasoduto, mas duvido que ele poderá de algum modo contribuir na soluçãoo da terrrível situação relacionada ao gás, em que se encontra o seu país.

Nota biográfica
Edward Chow - Senior Fellow do Programa de Pesquisa em Energia e Centro de Segurança Nacional de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington. Tem mais de 30 anos de experiência na indústria de petróleo, deles 20 na Corporação Chevron. Trabalhou na Ásia, América do Sul, Europa, ex-repúblicas soviéticas. Participou das negociações para celebrar contratos multimilionários. Foi conselheiro do governo dos Estados Unidos e governos estrangeiros, corporações multinacionais, instituições financeiras internacionaiis. Sua especialização - investimentos em indústria de petróleo e gás nos mercados emergentes.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik
Imagem: Semana

quarta-feira, 27 de junho de 2012

NO "PAIS DOS SONHOS"

Amigas leitoras:

Este post, à pedido da nossa especialista de moda ucraniana, será dedicado inteiramente às nossas leitoras.
Esperamos que gostem e divulguem para suas amigas!
O Cossaco.

 
No "país dos sonhos" - em bordados e entrada paga
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana, 25.06.2012) e Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 24.06.2012
Oksana Nehoda e Ihor Savchuk

Em Kyiv aconteceu o etnofestival "país dos sonhos". Este festival é famoso porque reune pessoas preocupadas com as tradições nacionais. Realizam-se diversas oficinas de aprendizado e confecção de lembranças, presentes, artezanato, feira de livros com participação dos escritores nos palcos literários e parquinhos infantis.

Infelizmente a frequência este ano foi menor que nos anos anteriores quando compareciam famílias inteiras. Será que isto aconteceu devido ao pagamento da entrada, ou o apoio à comanda de Yanukovych por Oleh Skrypka, um dos organizadores. As ações literárias realizam-se no "território gratuito" devido a exigência dos irmãos Kapranov.

Tradicionalmente muitos vêm ao festival em trajes ukrainianos bordados. Busca-se no armário a própria camisa bordada ou até aquela da vovó, a pequena coroa de flores para embelezar o rosto juvenil, ou o lenço para as mais idosas. Os jovens, atualmente, modernizam os bordados e os combinam com jeans ou shorts. As pessoas de idade usam trajes completos com saia, avental (bordado), corpete ou colete.

A seguir algumas fotos de jovens com atuais trajes bordados:


A jovem usa um vestido branco com bordado de rosas vermelhas no peito e mangas compridas, e tom sobre tom na finalização.

Espigas de trigo (riqueza ukrainiana) formam este chapéu. O colar azul completa as cores da Bandeira Nacional (amarelo e azul) Blusa com bordado nas mangas.

Camisa fina bordada em tom sobre tom combinando com saia plissê comprida e atual. Combinando com as cores um cinto largo de couro e acessórios étnicos adequados.

A combinação do bordado com jeans já se tornou clássica entre os trajes modernos. Mas, dadas as recentes tendências vale propor uma combinação de blusas bordadas com saias largas e longas, plissadas, ou calças largas com corte "banana" ou "alladin"" semelhante às antigas calças masculinas (sharavary).

Ou ainda, simplesmente longas camisas apenas cingindo a cintura com cintos largos de tecido ou couro. Não é correto desprezar os acessórios. Os mais tradicionais são de argila, miçangas ou madeira. E colar vermelho com várias voltas é indispensável a cada mulher ukrainiana moderna.

Os quatro modelos finais são da coleção "Casa de Modas RITO".






A seguir os bordados ucranianos.


BORDADOS UCRANIANOS
















Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik
Imagens: Ukrainska Pravda.

domingo, 24 de junho de 2012

AS TRÊS VIDAS DE PAVLIV MOROZOV

Escrito por Fernando Díaz Villanueva | 22 Junho 2012
Artigos - Cultura
PavlikNo dia 4 de setembro de 1932, foram descobertos os cadáveres de dois meninos num bosque perto de Gerasimovka, uma aldeia esquecida por Deus na zona central dos Urais. Os meninos Fiodor, de nove anos, e Pavel, de treze, eram filhos de um camponês local que pouco antes tinha tido problemas com a polícia por questões ideológicas.

Pavel, um jovem pioneiro da Juventude Comunista, tinha denunciado seu pai, Trofim Morozov, por atividades contrarrevolucionárias. Aparentemente, o pai se opunha à coletivização de terras que estava sendo feita pelas autoridades soviéticas naquele momento e, não contente com isso, tinha se dedicado a falsificar documentação para entregá-la aos inimigos do Estado. Isto o levou à prisão e a um julgamento sumário que lhe custou dez anos de trabalhos forçados no gulag.
Alguns parentes dos meninos quiseram vingar a memória de Trofim e levaram os meninos para o bosque, onde os assassinaram a sangue frio, cortando seus pescoços com uma serra. A polícia seguiu as pistas, prendeu os assassinos e, depois de arrancar-lhes a confissão, condenou-os a morrer no paredão. Pouco depois apareceu a mãe, Tatyana Morozova, que garantiu ser uma mulher tremendamente infeliz e continuamente espancada por seu marido.

As revelações de Tatyana fecharam o círculo. Trofim era, além de um espião que traficava informações privilegiadas a serviço dos inimigos da União Soviética, uma pessoa má de caráter amargo e habituado a maltratar os seus. Esta última prova dada por sua esposa transformou a benigna pena de dez anos que as autoridades lhe tinham imposto em execução imediata. A justiça revolucionária havia sido feita. O caso estava encerrado.

Logo alguém em Moscou percebeu as infinitas possibilidades oferecidas por uma história como a de Pavel, rebatizado às pressas com o diminutivo de nome seu nome, Pavlik (“Paulinho”), para instruir as massas sobre o grau de perversidade a que poderia chegar a reação antissoviética. Serviria também para mostrar a todo o país os benefícios e as oportunidades de uma denúncia feita a tempo, inclusive dentro da família. A União Soviética seria generosa com todos, não importando a idade ou a condição, que descobrissem os contrarrevolucionários escondidos que tentavam destruir paraíso socialista através de truques sujos.
O jovem Pavlik se converteu em uma celebridade nacional. O governo o declarou mártir e promoveu seu culto cívico mediante estampas e cartazes que enfeitaram as paredes de todo o país. Erigiram-se estatuas do menino herói e muitos colégios e centros juvenis adotaram seu nome. Inaugurou-se um museu dedicado à sua pessoa em Sverdlovsk (atual Yekaterinburgo), capital de seu estado natal, ao qual peregrinavam grupos de jovens do Partido para comprar souvenires e tirar fotos numa réplica da sala de aula em que o menino tinha estudado.

Crianças de todas as escolas escreviam poemas sobre o acontecido, poemas que mais tarde competiram em certames celebrados. Chegou-se mesmo a se compor uma ópera sobre a epopeia trágica, que foi muito representada. Sergei Eisenstein dirigiu um filme, “O Prado de Bezhin”, inspirado em sua história. Curiosamente, o filme nunca chegou a ser lançado porque as autoridades acharam que o diretor tratava as personagens hostis ao regime com uma luz muito favorável.
crianças e Pavlik
Crianças soviéticas diante do busto de Pavlik Morozov.
O culto ao camarada Pavlik foi intenso durante o stalinismo, especialmente entre a infância. Manteve-se durante os anos de Khrushchev e Brezhnev e depois, já nos anos 80, quando o sonho soviético se havia evaporado das mentes dos russos sem que o Partido pudesse fazer nada para evitá-lo, foi perdendo força até praticamente desaparecer.

Foi então que Yuri Druzhnikov, um escritor maldito que mais tarde se exilaria na Áustria, investigou a fundo o assunto para dar com a verdade do caso Pavlik. Foi um trabalho lento e custoso cujos capítulos circulavam pela Rússia sob a forma de “samizdat”, textos clandestinos que passavam de mão em mão para ludibriar a censura. Esses samizdats cruzaram a cortina de ferro e chegaram ao Reino Unido. Ali apareceu, em 1988, a primeira edição de “Informer 001: The Myth of Pavlik Morozov”, que não tardou a ser traduzido para várias línguas.
A tese de Druzhnikov foi baseada na existência mesmo de um único Pavlik – que bem poderia ter sido vários, já que na propaganda soviética os retratos do menino eram muito diferentes. No entanto, o autor acreditava que, sim, houve um Pavel Morozov, natural de Gerasimovka, que viveu no início dos anos trinta. Mas ele não foi morto por sua família, e sim por um agente da Cheka com quem o próprio Druzhnikov chegou a ter contato. Os avós também existiram, mas não foram os assassinos, e sim vítimas inocentes de uma montagem grosseira da NKVD que teve como objetivo fabricar um herói camponês que servisse de exemplo para os aldeões daquela província, Tobolsk, que muito relutava em adotar a coletivização agrícola.
Segundo a investigação, o avô, abalado depois do desaparecimento de Pavlik, chegou a organizar uma equipe de busca camponesa para procurar o menino nas florestas próximas. Nesta segunda vida de Pavlik Morozov, o menino nem mesmo militava na Juventude Comunista nem integrava as brigadas locais de pioneiros para o socialismo. Druzhnikov, com uma avalanche de dados inéditos, exclui qualquer hipótese de denúncia contra o pai e, é claro, de vingança posterior. Tinha sido tudo uma mentira. Um simples e miserável homicídio da polícia política numa aldeia remota no coração da Rússia foi espertamente convertido pela publicidade numa bela história de heroísmo revolucionário – muito coerente, além disso, com os valores antifamiliares e antitradicionais defendidos pelos líderes soviéticos.

Anos depois, quando a história de Pavel Morozov estava praticamente esquecida, Catriona Kelly, uma professora de russo da Universidade de Oxford, reviveu-a com outro livro: “Comrade Pavlik: The Rise and Fall of a Soviet Boy Hero”. Kelly, baseando-se em grande parte nas investigações de Druzhnikov, vislumbrou uma terceira vida. Morozov não foi assassinado pela NKVD, mas morreu acidentalmente numa briga de rua pela posse de uma arma. Kelly obteve permissão para meter o nariz nos arquivos da FSB (sucessora da KGB, que por sua vez era sucessora da NKVD), pelo que a polêmica com os partidários da segunda vida de Pavlik Morozov estava formada: a FSB não aceitaria um assassinato assim, sem mais nem menos, de maneira que teriam ocultado a culpa da agência, deixando o resto intacto.

monumento Pavlik

Kelly teve muitos problemas para reviver o Pavlik histórico, já que, depois de meio século de culto martirológico, tudo a seu redor estava distorcido. Encontrou uma foto, a única autentica, do verdadeiro Pavlik. Ele não era, como aparecia nos cartazes de propaganda, um menino de belas e equilibradas feições com um cachecol de pioneiro ao redor do pescoço, mas um pobre garotinho mal nutrido e de aspecto miserável. Ou seja, com a mesma aparência que nos anos da coletivização apresentavam quase todos os meninos do interior da União Soviética.
Pavel Morozov, o camarada Pavlik, continua sendo um enigma histórico. Sabemos com certeza que existiu e que morreu em circunstâncias misteriosas no final do verão de 1932, num esquecido lugarejo dos confins da Rússia. Sabemos também que a polícia montou em torno de sua morte uma mórbida história de crime familiar, da qual o Partido se aproveitou para sustentar certas verdades revolucionárias. Pavlik Morozov foi o primeiro homem novo, um indivíduo puro, sem mácula, sem vestígios da era burguesa, disposto a imolar-se pela causa do socialismo. Um produto tão atrativo que, como nunca existiu, tiveram que inventá-lo.


Do Libertad Digital.

Tradução: Jorge Nobre
Publicado originalmente no website Midia sem Máscara

sexta-feira, 22 de junho de 2012

RUSSIFICAÇÃO EM MARCHA

Tyzhden (Semana), 07.06.2012
Serhii Hrabovskyi
Parece que muitos ainda hoje continuam acreditando, que exatamente em 5 de junho, entre e sob as paredes do Parlamento ocorreu e foi perdida a principal batalha contra recente russificação da Ukraina. Então na Internet de forma rápida e até nervosa discutem-se as peripécias desta batalha, sua disposição inicial, suas possíveis variações, condenam-se ações (ou melhor, omissões) dos líderes oposicionistas, ouvem-se ofensas direcionadas aos cidadãos - assim fala-se que, se ao Conselho viesse um milhão de pessoas tudo seria diferente - e assim por diante, e assim por diante. Enquanto isso, a batalha em torno do projeto de lei do idioma é apenas um episódio, e, é provável que não é a mais importante ofensiva dos atuais russificadores.

Paradoxalmente, este ataque, não foi lançado dois anos e meio atrás, com a chegada ao poder de Viktor Yanukovych, mas muito antes, exatamente - nos últimos anos do Presidente Kuchma (quando sua administração encabeçou Viktor Medvedchuk, o qual não precisa caracterizar mais uma vez) e durante "o maior presidente ukrainiano" Viktor Yushchenko. O nível de esclarecimento econômico do último lhe permitiu repetidamente fazer declarações sobre a necessidade de atrair à Ukraina qualquer capital estrangeiro, independentemente de sua origem, à pertinência e subordinação nacional. Enquanto isso o ABC científico compreende a presença de capital usurário nacional, neoimperialismo e neocolonialismo econômico...

Então não é surpresa, que desde 2002, e, em seguida, (dando um tempo para as eleições) de 2005 o grande capital russo - capital da antiga metrópole - em ritmo intensificado começou mover-se para Ukraina. E não apenas capital, mas também conhecidas empresas russas, incluindo aquelas que são claramente controladas pelo comando "tchequista de Kremlin". Portanto, dirija sua atenção para o ramo, que tem importância estratégica, diretamente relacionada à segurança nacional e desenvolve-se em ritmo acelerado - a comunicação móvel. Hoje a posição dominante de russos no mercado ukrainiano tornou-se um fato incontestável. A eles pertencem, total ou parcialmente as companhias: MTS, "Kyivstar", "Beeline", "Golden Telecom". E isto significa que no mercado móvel da Ukraina dominam regras russas, e em caso de situações de crise o controle sobre este extremamente importante sistema de comunicação no mundo atual pode estar nas mãos da antiga metrópole.

E mais um ramo estratégico: precisamente no governo Yushchenko a maioria de ativos da construção naval na Ukraina incluindo o militar firmou-se nas mãos dos russos. Sobre o espaço cultural-informativo nem é bom falar: 80-90% dele trabalham no fortalecimento dos ideais do "Mundo russo". A Internet na Ukraina é geralmente no idioma russo. E não é de admirar: sobre variedade de jogos, e podemos apenas sonhar sobre jogos on-line dos mundos virtuais ukrainianos. É verdade que houve a tentativa de dublagem para ukrainiano de filmes ocidentais para distribuição nacional, mas ainda não se sabe se ela foi proveitosa: porque a permanência dos filmes russos permaneceu inalterável, e juntamente com seriados russos na televisão eles criaram oposição ao "nosso", "eslavo", "pátrio","estrangeiro", europeu, ocidental. Em outras palavras, sem uma forte ascensão do ukrainiano (não no censo econômico, mas cultural) a produção de filmes e séries esta dublagem pairou no ar, não se enraizou no solo nacional. E foi do que se serviram os novos atuais governantes. Tornando a tal dublagem, em poucos passos, desvantajosa.

O novo governo copia o estilo russo de administração pública e doutrinação ideológica da população. O Parlamento, que nunca foi muito eficaz, mas, ao menos, durante duas décadas defendeu uma plataforma de discussão e coordenação de diferentes pontos de vista, hoje justifica plenamente a frase do ex-presidente da Duma (Federação Russa): "Parlamento - não é local de discussão". A isso pode-se acrescentar - e não é para legislar, pois até mesmo os projetos de lei, nominalmente apresentados pelos deputados do Partido das Regiões, na verdade são escritos pela administração de Yanukovych ou nas brenhas do Conselho de Ministros. Tudo em estilo russo, até a "votação macaqueada", quando um deputado, com as mãos e com os pés vota por cinco; verdade, isto ainda não é a Duma, onde cada deputado da "Rússia Unida", durante uma votação de emergência do projeto de lei que efetivamente proibe comícios, agia por dez membros de seu partido, mas tudo está na frente, não é mesmo? Além disso, o copiado do modelo russo projeto de lei já está no Conselho, e ele também legaliza qualquer atividade pública cívica (apenas um exemplo: multa ou prisão ameaça aos organizadores da manifestação, se houver, ao menos, 10 pessoas a mais, ou a menos, do declarado...) Eu já não falo sobre a origem e etnocultural conduta dos cabeças do governo, dirigentes dos ministérios de segurança e outras agências chave - o quanto vale apenas a "caminhada-culto" dos ministros encabeçados pelo primeiro-ministro Azarov ao túmulo do "devorador" assassino dos ukrainianos e antissemitas Stolypin, um inimigo declarado da democracia e um defensor do despotismo imperial.

Em suma, a nova legislação linguística é apenas um "traço" no processo sequencial da destruição de tudo ukrainiano e plantio do russo-soviético pelo atual governo. O "traço", é claro, é visível - mas não é o primeiro e, infelizmente, não é o último. Porque a ativa oposição mesmo em aliança com as estruturas da sociedade civil, não pode parar este processo, no máximo desacelerar. Atualmente aqui é necessário um movimento multimilionário, com um programa claro de ação e vontade para cumpri-lo. Não se trata de tesouros filológicos, de curiosidades etnográficas ou mesmo obras-primas de ficção - trata-se pela própria perspectiva da vida na Ukraina.

Tradução: Oksana Kowaltschuk