Militares ucranianos lançaram este
domingo uma operação para retomarem o controle de edifícios públicos
ocupados por ativistas pró-Rússia no leste do país.
A localidade de Slaviansk é um dos pontos fulcrais das operações.
Informações dão conta de mortos e feridos de ambos os lados.
Há pelo menos um morto a lamentar entre as forças de segurança ucranianas assim como vários feridos.
O ministro ucraniano do interior, Arsen Avakov, aconselhou a população a permanecer dentro de casa.
Um grupo de mulheres que se encontrava com os ativistas pró-Rússia
foi evacuada momentos antes do início das operações das forças
ucranianas.
As fotografias deram origem a uma discussão sobre a neutralidade de Kiev, que o Kremlin quer consagrada na lei ucraniana.
A crise da Ucrânia ressuscitou a retórica e os métodos de propaganda
da Guerra Fria, fazendo lembrar aos dois velhos antagonistas que ainda
são “os melhores inimigos”, como comentou à Reuters uma fonte
diplomática de Bruxelas.
Ontem, o
secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, defendeu que a Aliança
deve responder às movimentações russas junto à fronteira ucraniana
adotando “medidas suplementares”, como a deslocação de tropas para
zonas estratégicas e a realização de exercícios militares. Em resposta,
Moscou acusou a OTAN de manipular a informação ao divulgar imagens
antigas para provocar uma reação.
O conjunto de
fotografias divulgado mostra uma grande e recente concentração de meios
de combate russos junto à fronteira da Ucrânia. As imagens, que foram
tiradas pela empresa privada DigitalGlobe entre 22 de Março e 2 de
Abril, revelam claramente aviões de combate, helicópteros, peças de
artilharia e infantaria e equipamento adequado a tropas especiais. Na
análise dos comandos da Aliança Atlântica, explicada em conferência de
imprensa em Bruxelas, trata-se de equipamento pronto a usar, como estão
prontos a entrar em ação os cerca de 40 mil homens que o Governo de
Moscou estacionou na região junto à fronteira do Leste da Ucrânia.
Segundo
os militares da OTAN, algumas das zonas onde agora está este exército
russo, estavam vazias ou praticamente vazias em Fevereiro — a base aérea
de Buturlinovka, que estava praticamente desocupada, agora alberga
dezenas de caças; Belgorod, que também estava quase deserta em
Fevereiro, tem agora 20 helicópteros e fontes citadas pela BBCB diziam
que por ser a base mais próxima da fronteira (50km) poderá ser dali que
partirá uma invasão, caso este venha a acontecer.
“Trata-se de uma
força significativa e pronta para avançar”, disse à BBC o brigadeiro
Gary Deakin, que dirige o centro de operações de crise da OTAN em Mons,
na Bélgica. “Tem capacidade para se deslocar rapidamente para dentro da
Ucrânia mal receba ordens.” As imagens, disseram as fontes, indicam que
se trata de uma força ofensiva e não de tropas em “exercício” como
defende Moscou.
O Governo russo reagiu à divulgação das imagens e
às explicações sobre elas dizendo que as fotografias datam do Verão de
2013, quando foram realizadas manobras na zona. Os russos estão a
mentir, responderam os generais da OTAN que , ao fim da manhã de ontem,
divulgaram outras fotografias com mais detalhes para “que fique claro
que as afirmações dos responsáveis russos são totalmente falsas”.
Rasmussen
disse que a OTAN deve responder com mais veemência à ameaça russa. O
reforço do patrulhamento aéreo nos Estados bálticos, o envio de
aviões-radar Awacs para a Polônia e Romênia e o reforço da vigilância
naval no mar do Norte não chegam, na opinião de Rasmussen. “Penso que
temos de tomar medidas suplementares e, de acordo com as recomendações
das nossas autoridades militares, vamos discutir o assunto nos próximos
dias e semanas.” “A reflexão [da próxima semana] poderá incluir uma
evolução dos nosso planos de Defesa, o reforço dos exercícios e o
deslocamento apropriado [de tropas]”, acrescentou o secretário-geral da OTAN que, porém, esclareceu que a Aliança Atlântica não tem sobre a mesa
uma “opção militar”. “A OTAN defende e protege os seus aliados e
adotaremos as medidas necessárias - e legítimas perante a instabilidade
criada pelas ações da Rússia — que assegurem que essa defesa coletiva
seja eficiente.”
Num discurso em tom de Guerra Fria deve
procurar-se uma frase chave que explique o que o secretário-geral quis
dizer. A frase pode ser esta: “evolução dos planos de Defesa”. Pode ter
sido ela a levar o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei
Lavrov, a introduzir a questão da neutralidade da Ucrânia na troca de
acusações de ontem.
A Rússia, disse Lavrov, quer que a Ucrânia se
mantenha um país neutro e quer garantias legais de que será assim. Em
2010, o Presidente destituído da Ucrânia — mas que Moscou ainda
considera legitimo — promulgou uma lei que excluía a possibilidade de o
país entrar na OTAN e reafirmava a neutralidade deste território que
faz parte da linha de neutrais que separa a Rússia da OTAN. O Kremlin
receia que o novo poder em Kiev ceda à pressão do Ocidente e quebre esse
pacto.
Rebeldes pró-russos avançam no leste da Ucrânia e Ministro do
Interior promete "tolerância zero" contra terroristas armados. Rússia
desmente estar por trás das manobras no Leste.
Rebeldes pró-russos ocuparam esquadra em Slaviansk AFP/ANATOLIY STEPANOV
Os rebeldes separatistas que reclamam a auto-determinação de Donetsk,
no leste da Ucrânia, intensificaram a sua campanha contra o Governo de
Kiev e alargaram a sua área de “atuação” para além dos limites daquela
cidade que serve de capital à região industrial do país. Envergando
uniformes militares e armados com granadas e armas de fogo, cerca de 20
militantes pró-russos tomaram uma esquadra de polícia em Slaviansk, e
subiram a parada para a resposta do ministério do Interior – que de
imediato enviou tropas especiais para a região.
O Presidente interino, Olexander Turchinov, convocou
uma reunião urgente do conselho de segurança nacional para discutir a
resposta do Governo à escalada da tensão, e o ministro do Interior,
Arsen Avakov prometeu uma ação rápida e eficaz para “repelir os
terroristas” que ameaçam a integridade territorial da Ucrânia. Depois de
uma semana acantonados no edifício do governo regional de Donetsk, os
“ativistas” russófilos – que as autoridades ucranianas e aliados
ocidentais dizem ser agentes desestabilizadores apoiados por Moscou –
começaram a expandir as suas frentes de luta contra o novo governo
ucraniano.
Avakov denunciou a existência de vários focos de
confrontos e ataques dos secessionistas no leste do país, que
classificou como uma “agressão” fomentada pela Rússia – uma acusação
desmentida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov,
num telefonema ao seu homólogo ucraniano. O ministro do Interior
indicou uma “reação muito dura e severa” das forças ucranianas às
investidas dos “provocadores” e “terroristas armados”. “Para esses é
tolerância zero”, escreveu numa mensagem de Facebook em que dava conta
de troca de tiros entre os grupos armados e a polícia na cidade de
Kramatorsk.
No entanto, o Governo está fortemente condicionado
pela ameaça de intervenção da Rússia em caso de repressão ou violência
contra a população russófila. Esse foi o pretexto para a ofensiva de
Moscou na Crimeia, em Fevereiro: com cerca de 40 mil soldados russos
estacionados a duas horas da fronteira, os dirigentes ucranianos não
podem arriscar a repetição da História.
Na sexta-feira, o
primeiro-ministro, Arseniy Yatsenyuk, procurou acalmar os líderes do
movimento secessionista com promessas de uma maior autonomia regional.
Em conversações em Donetsk, o líder interino garantiu que estava
disposto a promover uma reforma constitucional para transferir várias
competências de Kiev e a negociar uma solução pacífica para o impasse no
Leste.
Mas a sua visita à região não parece ter surtido qualquer
efeito. Os rebeldes não desarmaram e este sábado forçaram a demissão do
chefe da polícia regional de Donetsk, abrindo mais uma brecha na
autoridade do Estado. “Em cumprimento das vossas exigências, afasto-me
do cargo”, cedeu Kostiantin Pozhidaiev, perante uma multidão concentrada
em frente do quartel-general da cidade. No edifício, como em muitos
outros imóveis regionais, já não voa a bandeira da Ucrânia: agora, são
as cores da Rússia, vermelho, branco e azul, ou as tarjas laranja e
pretas adoptadas pelos separatistas, que se vêem nas janelas.
Além
dos grandes centros urbanos de Donetsk, Lugansk e Kharkov, e também de
Slaviansk (que fica a cerca de 150 quilômetros da fronteira com a
Rússia), os rebeldes pró-russos começam a avançar para outras
localidades, complicando a tarefa das forças destacadas pelo Governo. Em
declarações à BBC, Alexander Gnezdilov, o porta-voz dos activistas que
declaram a autonomia da “república popular” de Donetsk, esclareceu que
os militantes que se dirigiram para Slaviansk constituem um “grupo
independente” solidário com o protesto contra o Governo de Kiev.
Segundo
dizia a Reuters, os rebeldes que ocuparam a esquadra de Slaviansk
recolheram todo o arsenal de mais de 400 armas ali disponível,
distribuindo-o pelos seus apoiantes, e contaram também com a colaboração
de residentes locais que ergueram barricadas com pneus e organizaram checkpoints nas estradas para tentar travar o acesso do Exército à cidade.
Um
militante entrevistado pela Associated Press, que se identificou apenas
como Sergei, explicou que a razão pela qual decidira pegar em armas era
para proteger a região dos “nacionalistas radicais e da junta que tomou
o poder em Kiev”. “Só temos uma exigência, que é a realização de um
referendo para a anexação à Rússia. Não queremos ser escravos da América
e do Ocidente”, afirmou.
Entretanto em Kiev, o Governo interino
informou que a empresa estatal Naftogaz suspendeu os seus pagamentos à
Rússia, e preveniu a Europa para eventuais “problemas” de abastecimento
de gás natural. A decisão resulta da subida do preço praticado pela
russa Gazprom: com a queda do Presidente Viktor Yanukovych, a Rússia
acabou com os subsídios que mantinham em baixa as faturas dos
consumidores ucranianos.
Este psicopata, Stalin, é o segundo maior genocida da história da humanidade em todos os tempos. O primeiro é Mao Tsé-tung. Este vídeo serve para mostrar a índole [temper] russa. Um povo cínico, dissimulado, desprovido de dilema moral. Não esqueçam: Quem determina o sucesso de um espetáculo, dantesco ou não, é o público.
O governo de Kiev lançou um ultimato aos separatistas que ocupam edifícios públicos nas cidades russófilas do leste da Ucrânia.
“A questão ficará resolvida em 48 horas, ou pela via política ou pela força”.
A situação mais tensa vive-se na cidade de Luhansk. Os últimos
ocupantes do edifício dos serviços de segurança já saíram do imóvel, mas
as barricadas na rua foram reforçadas e os ativistas prepararam-se para
lutar por um referendo sobre a anexação da cidade à Rússia.
Um manifestante lança um apelo:
“Esta é a nossa última oportunidade. Kharkiv está perdida, Donetsk está
perdida, Mykolaiv já foi perdida há muito tempo, Odessa está quase
perdida. Nós somos a última esperança para toda a Ucrânia”.
Nas outras cidades em que eclodiram os movimentos separatistas após a
anexação da Crimeia, a situação está agora mais calma, embora alguns
edifícios oficiais estejam ainda ocupados.
Em Donetsk, a sede do governo regional ainda está ocupada, mas o
edifício dos serviços de segurança já foi retomado pelas autoridades.
A população da cidade está dividida:
“Queremos liberdade, queremos a nossa república de Donetsk para nos ligarmos a quem quiser unir-se a nós”, afirma uma cidadã.
Outra, defende:
“Queremos que Donetsk seja ucraniana. Amamos a nossa Ucrânia”.
O governo interino da Ucrânia continua a acusar a Rússia de tentar desmembrar o país. Moscou nega as acusações.
Os serviços secretos ucranianos divulgaram, no site oficial, que
detiveram uma cidadã russa envolvida em confrontos na Ucrânia e
acusam-na de espionagem.
"No mundo das idéias abstratas, o único que em geral os doutrinários
conservadores e tradicionalistas conhecem, Putin deve ser louvado por
sua resistência às "políticas de gênero". Mas louvor e censura são
apenas expressões de um estado de ânimo subjetivo. Não creio ter o
direito de manter os leitores atentos aos caprichos da minha alminha.
Imagino que eles esperem de mim alguma ciência, alguma análise da
realidade objetiva. E, na realidade
objetiva, a virada conservadora de Putin, coexistindo com a reabilitação
de Stálin e a ocupação da Criméia, é apenas uma peça no complicado
esquema estratégico eurasiano. Para Putin como para o seu guru Alexandre
Duguin, a moral religiosa tradicional só vale porque é um elemento de
propaganda anti-ocidental entre outros. No século XIX a Rússia já
prometia salvar o mundo da corrupção ocidental. O eurasianismo bebe
nessa fonte como bebe no marxismo, no nazismo, no islamismo etc. etc.
É realmente absurdo que os jornais paguem a seus articulistas para que
digam o que estão sentindo. Página de opinião, hoje em dia, parece grupo
de psicoterapia. Eu me sentiria um palhaço se escrevesse um artigo só
para dizer se gosto ou não gosto do Vladimir Putin. Aliás não me sinto
nem capaz de gostar ou não gostar de pessoas que não dão a mínima para a
minha opinião.
Dostoiévski acertou em tudo quanto profetizou de
ruim, nada de bom. Seus temores realizaram-se, suas esperanças
falharam. Refiro-me às esperanças quanto à Rússia como guia espiritual
da humanidade. Nenhum povo, nação ou entidade qualquer recebeu a missão
divina de salvar o mundo. Nem a Igreja tem esse mandato. Ela está aí
para levar ao céu as almas individuais que quiserem ir. Não povos,
nações, o planeta ou a espécie humana. Todos os salvadores do mundo são
ladrões e farsantes. Nem Jesus prometeu salvar o mundo, e sim salvar DO
mundo as almas dos eleitos." (Olavo de Carvalho)
Depois de se apoderar da Crimeia, Moscou empurra a Ucrânia para o
caos. Não vai invadir nem anexar o Leste e Sul do país. A política
tradicional russa é manter uma Ucrânia fraca e, se necessário,
"ingovernável" de forma a assegurar a sua dependência. Neste momento, o
objetivo parece mais preciso: desorganizar e dividir a Ucrânia, de
forma a impedir as eleições de 25 de Maio que, calcula Vladimir Putin,
legitimariam um poder político hostil e pró-ocidental. Que acontecerá se
o Leste e o Sul boicotarem as eleições?
Moscou tem a sua alternativa: impor referendos
regionais que consagrariam um sistema federal e a autonomia das regiões,
inclusive em política externa, "balcanizando" a Ucrânia. Pretende
acentuar a polarização entre Leste e Oeste e convencer os ucranianos de
que o seu modelo federal será a solução mais realista e "pacífica".
Putin sabe que americanos e europeus têm escassos meios para anular a
ofensiva política russa.
O que aconteceu em Donestk, Kharkov ou
Lugansk não teve uma dimensão de massas. É um sinal. Seguir-se-ão meses
de crescente tensão. Os EUA e a UE acusam Moscou de desestabilizar a
Ucrânia e de orquestrar as manifestações pró-russas. Moscou intima Kiev
a não usar a força no Leste sob risco de desencadear uma "guerra
civil".
Putin tentará estrangular a economia ucraniana com a
subida do preço do gás (um aumento de 80%) enquanto os investidores
estrangeiros deixaram de ter vontade de correr para Kiev. O país está à
beira da bancarrota.
O nacionalismo ucraniano — e anti-russo —
afirmou-se nos últimos meses mas não em todo o país, que continua a ser
extraordinariamente frágil. Pareceu emergir uma nova elite social, mas
não teve ainda tradução política. A classe dirigente é a mesma de antes —
uma oligarquia corrupta — e as instituições não funcionam. Após a perda
da Crimeia, o governo teve de recorrer a oligarcas para controlar o
Leste do país. Hoje, é Rinat Akhmetov, o maior dos oligarcas, que está a
tentar "apagar o fogo" em Donetsk.
Em termos econômicos e
militares Moscou está em inferioridade perante Washington. Mas tem
tropas na fronteira, enquanto os americanos estão "longe" e os europeus
"desarmados". Kiev não tem a cobertura da NATO. A "vantagem" de Moscou é
ter muito a mais a perder na Ucrânia dos que os ocidentais, o que
incentiva Putin a correr riscos mesmo perante sanções pesadas — o que
está longe de ser garantido. A Ucrânia é vital para o seu grande
projeto estratégico — a construção da União Euro-Asiática. É, ainda, um
"estado-tampão" perante a NATO e a influência da UE.
Vários
analistas denunciam agora "a incultura política e a superficialidade da
moderna diplomacia ocidental" que não soube antecipar a reação russa e
festejou a destituição de Viktor Yanukovych no dia seguinte à assinatura
do compromisso de 21 de Fevereiro, subscrito por Yanukovych e pela
oposição e "testemunhado" pelos ministros do Negócios Estrangeiros da
França, Alemanha e Polônia e por um enviado de Moscou.
"Por que é
que América não compreende Putin?" — pergunta a historiadora e
ex-sovietóloga americana Angela Stent, outrora conselheira no
Departamento de Estado. Porque deixou de pensar a Rússia em termos
históricos e "os especialistas de democracia e economia" enviados para
Moscou nos anos 1990 pensavam em quadros estranhos à realidade russa.
Depois, os think tanks voltaram-se para China e para o mundo árabe. Por
isso, tal como Merkel, a América não percebe o mundo em que vive Putin.
Morrer por Kiev? Ao
incentivar a "mudança de regime" em Kiev, a UE assumiu a
responsabilidade de ajudar a reconstruir a Ucrânia, política e
economicamente. Cumprirá ou poderá cumprir? A Polônia e a Suécia lideram
a política de intervenção e ajuda maciça. E a Alemanha ou a França?
"A
chanceler Merkel tem de adotar uma atitude de firmeza e sem
ambiguidade perante a Rússia e isto significa pesadas sanções", escreve
Judy Dempsey, do think tank Carnegie Europe. "Não será tarefa fácil. Na
opinião pública alemã há um consenso de que a Ucrânia é difícil e talvez
não valha a pena defendê-la." Os países europeus não estão a agir em
conjunto "porque pensam que o esforço não vale a pena".
O
americano Walter Russell Mead convida Washington a optar entre "voltar
as costas" à Ucrânia, o que significará "um amargo fracasso ocidental"
ou lançar-se numa "dispendiosa, difícil e talvez condenada operação de
nation-building", que Putin tem meios para anular.
A prazo, a
política de "confronto estratégico" de Moscou perante o Ocidente vai
sair-lhe muito cara porque bloqueará a modernização da Rússia, observa o
analista russo Dmitri Trenin, que prevê um conflito por muitos anos.
Concorda Dempsey: "A Europa, e mais tarde a Rússia, vão pagar um alto preço."
É preciso considerar nas análises que se faz sobre os acontecimentos na Ucrânia que este país foi e continua sendo dominado pelos russos e seu regime comunista nos últimos 93 anos. Neste ínterim, a Rússia invadiu a Ucrânia, impôs o seu povo e seu regime psicopata e agora se julga no direito de propriedade de um país que nunca foi seu. Se os russófonos que vivem na Ucrânia, se locupletam de suas riquezas adoram tanto a Rússia, porque não vão morar lá? É só atravessar a fronteira, tal com fizeram nas últimas nove décadas.
O Cossaco.
PÚBLICO
Angela Merkel acusa Moscou de "não estar a contribuir para o desanuviamento da tensão". [Putin e os russos estão rindo de suas acusações. Trata-se de um governo e povo em simbiose, sem dilema moral algum, cínico, dissimulado e psicopata - O Cossaco]
Manifestantes [leia-se parasitas invasores] pró-russos concentrados à porta da sede do governo regional Alexander Khudoteply/AFP
As trocas de palavras continuam inflamadas e nas cidades ucranianas
do Leste não está a afastada a hipótese de novos confrontos, mas no
horizonte surgiu uma hipótese de desanuviamento com o anúncio de que os
chefes da diplomacia da Rússia, Estados Unidos, Ucrânia e União Europeia
se vão reunir na próxima semana para discutir aquela que se transformou
na crise mais grave na Europa desde o fim da Guerra Fria.
A ideia do encontro foi lançada pelo secretário de
Estado norte-americano, John Kerry, num telefonema, segunda-feira, com o
homólogo russo, adianta a Reuters. Sergei Lavrov terá aceitado a
sugestão, apesar de insistir que o convite fosse alargado a
representantes das regiões russófonas, onde cresce o descontentamento
com o governo interino da Ucrânia, dominado pelos partidos pró-europeus.
Mas
a exigência russa não foi mencionada pelo gabinete de Catherine Ashton,
representante para a política externa da UE, quando terça-feira à noite
confirmou que a reunião a quatro se realizará na próxima semana, ainda
sem data certa nem local marcado. Será o primeiro encontro a este nível
desde que, em Fevereiro, o ex-Presidente ucraniano Viktor Yanukovych fugiu de Kiev,
deixando caminho livre à oposição que durante meses contestou nas ruas a
sua decisão de não assinar um acordo de associação com a União Europeia (UE), e desde que a região autônoma da Crimeia foi anexada pela Rússia.
Já
depois deste anúncio, a chanceler alemã acusou a Rússia de
“lamentavelmente não estar, em muitas áreas, a contribuir para o
desanuviamento da tensão”. Angela Merkel tem sido desde o início da
crise a interlocutora do Presidente russo, Vladimir Putin, mas também
uma das dirigentes europeias mais críticas da atuação de Moscou.
Num
discurso ao Parlamento, nesta quarta-feira, a chanceler garantiu que a
UE “vai continuar a fazer o que tem feito”. “Por um lado vamos manter o
diálogo, mas ao mesmo tempo vamos deixar claro de que, no nosso ponto de
vista, a Ucrânia tem direito a decidir o caminho do seu
desenvolvimento. É esta a nossa exigência.” [O ponto de vista da Chanceler alemã não fará diferença alguma para Putin - O Cossaco].
Em Washington, numa
comissão do Senado, Kerry acusou também Moscou de ter enviado “agentes e
provocadores” para as três cidades do Leste onde, na véspera,
manifestantes pró-russos tomaram edifícios públicos. [Acusou? E daí, o que isso resolve? Putin irá tremer de medo porque foi acusado? Irá perder o sono? Faz-me rir, senhor Kerry - O Cossaco]
A
todas as acusações a Rússia responde que não tem planos para invadir a
Ucrânia, mas insiste que o governo interino ucraniano não está a
responder às preocupações das populações do Leste, onde a maioria fala
russo [retorne às considerações preliminares - O Cossaco] e a economia está dependente do país vizinho. Por isso, Moscou
assegura a sua determinação em defender as populações de origem russa na
região, o que deixa em aberto a possibilidade de intervenção num caso
de incidentes na Ucrânia.
Um cenário que não está neste momento
descartado, tanto mais que Kiev tem vindo a endurecer o tom em relação
aos manifestantes que ocupam edifícios
da administração nas cidades Donetsk e Lugansk. Depois de na véspera os
ter apelidado de “criminosos e terroristas”, o ministro do Interior,
Arsen Avakov, afirmou nesta quarta-feira que a situação nas duas cidades
será resolvida nas próximas “48 horas”. “Há duas opções – negociações
ou a força. Aos que querem diálogo, propomos negociações e uma solução
política. Para a minoria que quer guerra, a resposta das autoridades
ucranianas será dura”, avisou. [Ações imediatas já deveriam ter sido tomadas tão logo se formou o governo provisório. Permitiram que o fogo se alastrasse e agora querem combater o incêndio com canequinhas - O Cossaco]
Os cenários para a Ucrânia não mudaram. O que
mudou foi a transformação, agora real, desses cenários em realidade. Onde havia
a promessa de “libertar” outras zonas do país à semelhança do que sucedeu na
Crimeia (que já é factualmente russa), há agora atos de invasão que pretendem
concretizá-la; onde havia a “certeza” de dominar os avanços dos rebeldes
pró-russos, há agora uma visível frustração por tal plano ter falhado; e onde
se quis apelar à coesão surge, com cada vez maior nitidez, o fantasma da desintegração.
Face a tudo isto, brandindo os mesmo argumentos de antes, Rússia e Estados
Unidos voltam a falar em negociações multilaterais sem que se saiba bem o que é
já negociável. Isto porque a insegurança, no terreno, é cada vez maior e não se
vislumbra como unir um país com focos crescentes de secessão. Bem perto, a
Rússia exulta. Uma Ucrânia fraca é uma presa fácil. Não para invadir,
mas para subjugar. A começar pela economia.
Kiev desencadeou uma operação militar
“antiterrorista” em Kharkiv. Foi assim que o ministro do Interior
anunciou a operação na sua página Facebook esta manhã. 70 pessoas terão
sido já detidas.
Kharkiv é uma das três cidades do Leste da Ucrânia onde manifestantes pro-Kremlin ocupam os edifícios administrativos exigindo um referendo para anexação à Rússia Washington acusa Moscou de “orquestrar” as manifestações pró-russas
que levaram à tomada de vários edifícios oficiais nas localidades de
Kharkiv, Luhansk e Donetsk. Nesta última cidade, os separatistas
pró-russos decretaram uma “república soberana”. [De que adianta esse blá, blá, blá dos EUA? Ou a Ucrânia e o mundo Ocidental reagem efetivamente, ou Putin anexará à Rússia metade da Ucrânia e o Ocidente continuará no seu blá, blá, blá enervante. O Cossaco]
O governo ucraniano denuncia, por seu lado, um plano da Rússia para “invadir” o seu território.
Os Estados Unidos ameaçam com novas sanções contra a Rússia mas, ao
mesmo tempo, o departamento de Estado norte-americano disse que os
chefes da diplomacia dos dois países debateram a possibilidade de um
“diálogo direto” no espaço de 10 dias entre Washington, Moscou, Kiev e
Bruxelas para tentar solucionar a crise. [Quando será que o Ocidente vai aprender que não há diálogo com o russos? Esse povo não possui dilema moral e seus governantes são mentirosos, cínicos e dissimulados !!! - O Cossaco]
Presidente interino da Ucrânia responsabiliza a Rússia pelas
manobras secessionistas e promete mão dura contra "aqueles que pegarem
em armas" contra Kiev.
Rebeldes separatistas pró-russos tomaram o quartel-general da polícia
e ocuparam o edifício do governo regional de Donetsk, no Leste da
Ucrânia, a partir do qual proclamaram a existência de uma nova
“república popular” independente da capital Kiev e anunciaram a data
para a realização de um referendo para “a criação de um novo Estado
soberano”: o próximo dia 11 de Maio.
“A república popular de Donetsk será criada dentro
dos limites administrativos da região. A decisão entrará em vigor depois
da celebração do referendo”, anunciou, em russo, um dos líderes do
autoproclamado Conselho Popular de Donetsk, dando como certo um desfecho
semelhante ao da Crimeia, após o voto pela auto-determinação da cidade
que é o coração industrial da Ucrânia – e onde uma parcela significativa
da população defende a “Ucrânia unida”, segundo apontam as sondagens.
É
a “segunda vaga” da ofensiva russa na Ucrânia, alertou o Presidente
interino, Olexander Turchinov, referindo-se às manobras separatistas em
Donetsk e ainda em Lugansk e Kharkov, na fronteira com a Rússia. Nas
três cidades, as forças de segurança foram incapazes de conter os
rebeldes e ativistas que assaltaram as sedes do poder de Kiev,
apossando-se do arsenal disponível e içando a bandeira da Rússia, entre
vivas ao Presidente Vladimir Putin.
Turchinov cancelou uma
deslocação oficial à Lituânia para poder vigiar pessoalmente a
“campanha” de resposta ao secessionismo e desmembramento da Ucrânia. “As
leis antiterrorismo serão adotadas contra todos aqueles que pegarem em
armas”, avisou o Presidente, acrescentando que na terça-feira o
Parlamento vai debater penalizações mais duras para os indivíduos e as
organizações políticas envolvidas em ações separatistas.
Antecipando
a reação de Kiev, o “novo órgão de poder” de Donetsk pediu apoio a
Moscou para resistir à “junta” que tomou conta do Governo ucraniano.
“Em Kiev houve uma revolução e aqui também haverá. Não há qualquer
possibilidade de marcha atrás”, previu o líder da “república” de
Donetsk, Andrei Purgin, ao jornal espanhol El País.
Mas
contrariando as expectativas dos ativistas pró-russos, as forças do
regime não reagiram à ofensiva sobre os edifícios da administração
local: a ordem vinda de Kiev foi para não recorrer à força e muito menos
à violência contra os rebeldes. “Há um plano de desestabilização em
marcha, para criar uma situação em que as tropas estrangeiras atravessem
a fronteira e invadam o país. Este cenário foi escrito pela Federação
da Rússia, mas não o vamos permitir”, explicou o primeiro-ministro
ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, que convocou uma reunião de emergência do
executivo perante a escalada da tensão no Leste.
Moscou mantém
cerca de 40 mil soldados russos estacionados a 30 quilômetros da
fronteira, disponíveis para “defender por todos os meios” as populações
russófilas das antigas repúblicas soviéticas que sejam alvo de agressão,
reafirmou Vladimir Putin.
Em declarações à agência RIA Novosti, o
vice-presidente da câmara alta do parlamento russo, Ilias Ukhmanov,
distinguiu os acontecimentos em Donetsk dos eventos na Crimeia, anexada
pela Rússia no mês passado. “A presente situação exige outro tipo de
avaliação, que tenha em conta o contexto histórico, político e jurídico.
Não podemos dizer automaticamente que é um reflexo do que se passou na
Crimeia e em Sebastopol”, considerou. Para Ukhmanov, o desejo de
autodeterminação da população de Donetsk é uma “reação natural” à
política de Kiev que “não autoriza o desenvolvimento de línguas ou
minorias nacionais ou outras religiões” e também um “sinal de que o
atual regime deve promover uma reforma constitucional, se quer
preservar a integridade territorial da Ucrânia”.
Nota do Editor do blog:
Se a Ucrânia continuar com esse comportamento covarde e frouxo, os russos tomarão toda a Ucrânia. É preciso falar menos a agir mais.
Esta sexta-feira, o primeiro-ministro em exercício na Ucrânia,
Arseniy Yatsenyuk, voltou a afirmar que o país nunca reconhecerá a
anexação da Crimeia e alertou para a possível ressurreição da União Soviética.
“O maior desastre deste século será a ressurreição da União Soviética
– aquilo que Putin, quer, claramente. E este tipo de ideias perigosas
tem o apoio da maioria da população russa”.
Estas declarações seguem-se às acusações sucessivas de que a Rússia e os agentes do FSB estiveram por detrás das ações dos snipers, que mataram uma centenas de pessoas durante a revolta na praça Maidan.
Moscou continua a negar estas acusações e insiste na necessidade de
defender os cidadãos russófilos, que segundo Sergei Lavrov serão
discriminados na Ucrânia:
“O maior obstáculo à solução da crise está dentro da Ucrânia. Este
obstáculo é o fato de as autoridades ucranianas serem incapazes de
respeitar completamente e em igualdade os direitos de todos os
ucranianos sem exceção”, afirma o chefe da diplomacia russa, Sergei
Lavrov.
Enquanto prossegue o braço-de-ferro politico-diplomático, a Rússia
continua a separar as águas na Crimeia. Esta sexta-feira cerca de 200
cadetes da Academia Naval de Sebastopol deixaram a península.
Na semana passada tinham recebido uniformes russos e um ultimato
para decidirem se queriam continuar a formação na Crimeia e servir a
marinha russa ou deixar o território e partirem para a Ucrânia.
Em plena crise entre Moscou e Kiev, a Rússia decidiu aumentar fortemente, pela segunda vez em três dias, o preço do gás vendido à Ucrânia.
Na sequência de um encontro com o primeiro-ministro Dmitri Medvedev,
o diretor-geral do gigante russo Gazprom anunciou uma subida de 26 por
cento. O preço dos mil metros cúbicos subirá assim para 354 euros, um
dos mais elevados valores aplicados aos países europeus.
Consciente da crise econômica e da forte dependência do país
vizinho, que cobre mais de metade das suas necessidades com o gás russo,
Moscou instou também a Ucrânia a reembolsar o mais rápido possível a
dívida energética, que atinge já os 1600 milhões de euros.
Agentes dos serviços secretos de Moscou teriam participado no
planejamento da repressão. Moscou reagiu dizendo que a alegação é
contrariada por "numerosas provas". Polícia anti-motim de Yanukovych
responsabilizada por assassínio de manifestantes.
Manifestante com invólucros de balas, em Fevereiro SERGEI SUPINSKY/AFP
As novas autoridades ucranianas acusam os serviços secretos russos e o
antigo Presidente, Viktor Yanukovych, de envolvimento direto nos
disparos que, em Fevereiro, resultaram na morte de dezenas de
manifestantes em Kiev, nos últimos dias do regime deposto.
"Agentes do FSB [serviços secretos russos]
participaram no planejamento e na execução da alegada operação
antiterrorista" contra os manifestantes, disse o atual chefe dos
serviços de segurança da Ucrânia, Valentin Nalivaichenko, numa
conferência de imprensa em que foram anunciados os resultados
preliminares de um inquérito à morte de 76 pessoas, entre os dias 18 e
20 de Fevereiro. Durante os protestos que levaram à queda do regime
foram mortas mais de cem pessoas.
Nalivaichenko disse que equipas
do FSB estiveram em Dezembro e Janeiro nas instalações dos serviços de
segurança do regime e que dois aviões transportaram da Rússia para a
Ucrânia, a 20 de Fevereiro (um dos dias mais sangrentos da repressão),
"toneladas" de explosivos e armamento.
As imputações das
autoridades de Kiev motivaram uma reação do ministro russo dos Negócios
Estrangeiros, que diz serem "contrariadas por numerosas provas". A
investigação sobre a autoria dos disparos deve ser feita de modo
"transparente", disse também Serguei Lavrov.
O serviço de imprensa
do FSB tinha já comentado a acusação, desmentindo-a implicitamente,
numa resposta à agência russa Ria Novosti: "Que essas declarações fiquem
na consciência dos serviços de segurança ucranianos."
As
acusações ucranianas surgem numa altura em que a Rússia anunciou que
alguns dos batalhões que tem mantido concentrados junto à fronteira com a
Ucrânia deverão regressar às suas bases. O governo de Moscou anunciou
também esta quinta-feira que quer esclarecimentos da NATO sobre as suas
atividades na região. A aliança atlântica prometeu, na sequência da
anexação da Crimeia pela Rússia, reforçar a defesa dos países-membros
mais próximos da Rússia.
Os resultados do inquérito preliminar aos
disparos sobre manifestantes no centro de Kiev acusam atiradores da
Berkut, a polícia anti-motim entretanto dissolvida, da autoria material
dos disparos. A procuradoria ucraniana anunciou, também esta
quinta-feira, a prisão de 12 dos elementos de uma das células, a chamada
"Unidade Negra". Mas a operação de repressão ocorreu "sob a liderança
directa" de Yanukovych, acrescentam.
Ao antigo Presidente, que a
21 de Fevereiro fugiu para a Rússia, é atribuída a autorização do uso de
armas contra manifestantes. As novas autoridades emitiram mandados de
captura contra Yanukovych e Oleksandr Yakimenko, antigo chefe dos
serviços de segurança.
A maior parte dos manifestantes
assassinados nos últimos dias do poder de Yanukovych foram mortos na rua
Institutska, junto à Praça da Independência, conhecida como Maidan,
local das grandes concentrações que se prolongaram por meses e levaram à
queda do regime.
Segundo o ministro interino do Interior, Arsen
Avakov, citado pela BBC, o inquérito determinou que, num dos episódios
de repressão, oito manifestantes foram mortos por balas disparadas pela
mesma metralhadora. E que uma unidade comandada por um major é suspeita
da morte de, pelo menos, 17 pessoas. Mas tanto Avakov como Nalivaichenko
disseram, segundo a AFP, não poder identificar sem margem de erro os
autores dos disparos mortais.
Yanukovych tem negado as acusações
de responsabilidade na morte de manifestantes. Numa entrevista
televisiva divulgada na quarta-feira disse que os disparos foram feitos a
partir de edifícios de Kiev controlados por opositores do seu governo.
Na mesma linha, as autoridades de Moscou atribuem os disparos a
movimentos nacionalistas ucranianos, nomeadamente ao grupo de
extrema-direita Setor Direito. [Faz-me rir, senhor Yanukovych - O Cossaco]
O Parlamento da Ucrânia
aprovou o desarmamento dos grupos paramilitares que participaram na
contestação que levou à queda de Yanukovych. Entre eles está o Praviy
Sektor, que tem pedido a demissão do ministro do Interior, depois de uma
figura proeminente do grupo ter sido assassinada durante uma
perseguição policial.
Os militantes do grupo de extrema-direita entrevistados pela
Euronews negam estar armados. “Armas? Eu não tenho armas. A situação é
pacífica, mas se alguém se virar contra mim com uma arma, não terei
outra escolha senão pegar numa”, afirmou um militante.
“Seria mais construtivo se o Governo e o Parlamento aprovassem uma
nova lei para a legalização das armas nas mãos dos cidadãos, mas não é o
momento de entregar as armas, por causa da guerra com a Rússia. Em
tempo de paz devemos fazê-lo, mas em tempo de guerra é inapropriado”,
disse Artem Skoropadskyi do Praviy Sektor.
Na segunda-feira à noite, o grupo radical foi responsabilizado por
um tiroteio que ocorreu à porta de um restaurante a cem metros da
Maidan. O incidente não teve, aparentemente, uma motivação política.
Em Kiev, a polícia deteve o suspeito de um tiroteio que fez três feridos, em Maidan, esta noite.
O homem detido é membro de um grupo radical nacionalista, Praviy
Sektor – Setor Direito -, na primeira linha da contestação pró-europeia.
O tiroteio ocorreu no exterior de um restaurante, a 100 metros da
Praça da Independência. O atirador, ébrio, refugiou-se no hotel Dnipro –
onde a o Praviy Sektor dispõe de uma sede -, entretanto cercado pela
polícia de choque.
O conflito diminuiu um pouco depois do
presidente russo , Vladimir Putin, ter ordenado a retirada parcial das
tropas russas da fronteira ucraniana a pedido de Angela Merkel.
A Polônia e França participaram na Alemanha numa conferência internacional a fim de coordenar o apoio ao governo ucraniano.
Os ministros dos negócios estrangeiros reuniram-se na cidade alemã
de Weimar onde discutiram reformas e assistência técnica e exortaram
Moscou iniciar negociações diretas com Kiev para encontrarem uma
solução para o conflito.
O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Frank -Walter
Steinmeier , disse ser inaceitável provocar conflitos como este na
Europa no século 21.
“ Cem anos depois do início da 1 ª Guerra Mundial, 70 anos após o
fim da Segunda e 25 anos após a Guerra Fria, não pode haver qualquer
lugar neste século para correções de fronteira que podem evoluir para
novos conflitos”.
Os Estados Unidos, no entanto mostram-se cautelosos e pedem que as
informações sobre a retirada das tropas russas sejam verificadas.
O gigante russo Gazprom aumentou em 40 por cento o preço do gás exportado para a Ucrânia.
Feitas as contas Kiev passa a pagar a partir de hoje 385,5 dólares
por cada 1.000 metros cúbicos de gás importado depois de suprimido o
desconto de 100 dólares acordado em dezembro de 2013 durante uma visita
do ex-presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, a Moscou. Mas o aumento
pode não ficar por aqui. A Rússia
admite acabar com uma outra redução acordada em abril de 2010 como
contrapartida pela utilização da base naval de Sebastopol, na Crimeia,
entretanto, anexada pela Rússia. Uma situação que a confirmar-se
obrigaria a Ucrânia a pagar 480 dólares por cada 1.000 metros cúbicos de
gás importado.
Um valor incomportável para Kiev.